Em política, assim como em campanha beneficente, não se despreza apoio. Mas, em se tratando de aliança eleitoral, o valor da ajuda é diretamente proporcional à situação do candidato. Se estiver muito bem, ele não pede ajuda: apenas aceita. Ainda não é o caso do prefeito Ricardo Coutinho, indiscutível pré-candidato ao governo do Estado em 2010, ainda carente de apoio para enfrentar Maranhão interior adentro.

Mas pode ser.

Os sinais são claros como os tons de laranja dos girassóis. Já foi dito que o prefeito vem “conquistando territórios” pelo interior da Paraíba. E que leva vantagem por fazer refletir o positivismo (e a blindagem) da sua administração na Capital, por onde passam e onde vivem todos os paraibanos, por todo o Estado.

Desfruta ainda de uma máquina cujo orçamento anual ultrapassa 1 bilhão de reais e, claro, alimenta a tese de que está montado no dinheiro para a campanha de 2010. Bem como a imagem de que representa o novo na política da Paraíba.

Tudo isso, somado ao “superfaturamento” da sua imagem junto à opinião pública, tem feito o prefeito conquistar partidos da base aliada de Cássio (PPS, PP e PTB) e de Maranhão (PC do B, PCB e PT), apesar de, paradoxalmente, não desfrutar de apoio fechado dentro do próprio partido, o PSB.

O fato é que o prefeito vem se movimentando como quem quer chegar às portas de 2010 candidato ao governo do Estado de qualquer jeito. Com ou sem, inclusive, o apoio do ex-governador Cássio Cunha Lima.

Sua visita è terra de Cunha Lima na semana passada foi um exemplo claro disso. Ele entrou sem pedir a chave a Cássio, fez discurso de gestor qualificado e ainda almoçou com aliados do tucano. Tudo sem que o ex-governador fosse sequer convidado. Quando voltar, talvez Cássio encontre o prefeito da Capital vestido com a camisa do Treze, discutindo projeto de isenção para moto-táxi em plena roda de conversa no calçadão de Campina.

Não se engane. Há dentro dos extremistas aliados do Mago um grupo forte dizendo que o prefeito de João Pessoa “não abrirá nem para um trem”.

Em Cajazeiras, terra do prefeito Léo Abreu, do PSB, nem se fala. È visível que Ricardo já não precisa de Cássio para entrar na cidade como candidato.

Como se não bastasse, o prefeito prepara para a próxima segunda mais uma conquista fora limites de João Pessoa: o início da implantação da integração dos coletivos de mais cinco municípios: Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Conde e Alhandra. Uma conquista indiscutível para milhares de usuários de transportes coletivos.

E pra quem serão dados os louros da integração metropolitana? Pra Ricardo é claro. Que tem a mídia mais forte e, portanto, mais facilidade em direcionar a atenção para si como provável idealizador. De uma tacada só, com a integração dos coletivos, o prefeito da Capital integra mais de 600 mil eleitores. Tudo sem precisar de Cássio.

É óbvio, como já se disse, que não se despreza apoio. Especialmente, quando esse apoio pode vir de uma das maiores lideranças políticas do Estado, o ex-governador Cássio, figura de peso em qualquer palanque eleitoral no próximo pleito. E quando se sabe que eleição se ganha por um voto e, às vezes, em pequenos municípios, por onde Ricardo jamais passou.

Mas, pelo andar da carruagem, o que hoje é necessidade pode, facilmente, se transformar em complemento.

 

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