A revista “Veja” trouxe recentemente uma entrevista com o impagável senador gaúcho Pedro Simon (PMDB-RS), que é considerado um dos últimos remanescentes da geração de políticos que enterrou pela via democrática dos votos, a excrescência jurídica criada pelo Golpe de 1964, também conhecido como Revolução Redentora ou Ditadura Militar, que durou até 1985, quando foi eleito pelo Congresso Nacional o ex-presidente Tancredo Neves, ainda pela forma indireta.
Simon recorda – além de Tancredo – os nomes de ilustres líderes já falecidos, como Mario Covas, Ulysses Guimarães, Leonel Brizola e Teotônio Villela (o pai). Ele chega a dizer que se estas pessoas não tivessem morrido, o Brasil de hoje seria – provavelmente – muito diferente, numa clara alusão às eleições de Fernando Collor, Lula, Dilma Roussef, Fernando Henrique Cardoso, etc e à posse de José Sarney.
Ele – o parlamentar sul-riograndense, tchê! – acha que o nosso país estaria muito melhor, política e administrativamente falando, com resultados bem diferentes nas esferas econômica, social, educacional, de segurança, habitação, saúde, etc.
Fazendo um paradoxo, fiquei me perguntando – logo após ler detalhadamente a entrevista de Pedro Simon – como seria a Paraíba, hoje, se nem Antônio Mariz (na foto acima, à esquerda) e Tarcísio Burity (na foto acima, à direita) tivessem sucumbido às doenças que os levaram precocemente ao túmulo…
Certamente, José Maranhão não teria assumido efetivamente o cargo de governador em 1995, depois do falecimento do líder sousense e nem teria sido posteriormente – pela lógica dos fatos – conseguido se eleger senador da República.
E Burity? Qual seria o destino reservado para ele, que – ao contrário de Mariz, que morreu para dar vaga ao vice assumir a titularidade do mandato – teve seu companheiro de chapa, o tribuno campinense Raimundo Yasbeck Asfora, morto (por suicídio, conforme foi atestado nos laudos oficiais), governando “sem sombra” no poder plenipotenciário gerado pelos gabinetes do Palácio da Redenção e corredores da Granja Santana?
Assim como Pedro Simon fica a imaginar um Brasil sem Lula e Dilma, eu me pus a pensar uma Paraíba sem José Maranhão, Ney Suassuna, Ronaldo e Cássio Cunha Lima, Cícero Lucena, etc, etc, etc, até chegar aos dias atuais, que – certamente, se formos seguir o raciocínio do senador dos Pampas – não teria o registro das presenças protagonizantes de Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo, Vitalzinho e Veneziano Vital do Rego, Luciano Agra, Nonato Bandeira, Estelizabel Bezerra e outros mais contemporâneos.
Ou seja, meu amigo: ninguém consegue deter a marcha da história. Como diria Caetano Veloso a respeito do fenômeno musical nascido mulher e batizado com o nome de Elis Regina:
“É incrível a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer”.
Então – para finalizar – aproveito para encaixar em meu discurso escrito aqui outra frase famosa, da autoria de nosso conterrâneo Geraldo Vandré, transformada em versos imortais:
“Vem, vamos embora, que esperar não é saber… Quem sabe faz a hora, não esperar acontecer!!!”
Traduzindo em miúdos: Mariz, Asfora, Burity morreram e – atualmente – cá estamos nós, falando de Ricardo, Agra, Bandeira, Estela, Cássio, Cícero, Ronaldo e – ainda – Maranhão.
Fica esta lição de vida e o recado para Pedro Simon, que começou a remexer nesse baú da política nacional e me levou a fazer este artigo:
Canta Belchior (sumido lá pras bandas do Uruguai, refugiado de suas dívidas à beira de um lago gelado, para escapar dos cobradores):
“No presente, a mente e o corpo são diferentes e o passado é uma roupa que já não serve mais…”
ESTE ARTIGO É DEDICADO À MEMÓRIA DE:
Antônio Mariz – (*) 1937 a (+) 1995
Tarcísio Burity – (*) 1938 a (+) 2003
Raimundo Asfora – (*) 1930 a (+) 1987
Tancredo Neves – (*) 1910 a (+) 1985
Ulysses Guimarães – (*) 1916 a (+) 1992
Leonel Brizola – (*) 1922 a (+) 2004
Mario Covas – (*) 1930 a (+) 2001
PS – Publicado originalmente na página 23 da edição nº 13 da revista POLITIKA (junho/julho deste ano).
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