A disputa política na Paraíba cria uma situação peculiar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: dois grupos fortes, em campos opostos, mas com o mesmo discurso de apoio ao petista.
De um lado, o governador João Azevêdo, o presidente da Assembleia, Adriano Galdino, e o vice-governador Lucas Ribeiro, que ao longo do tempo têm feito o apoio público e constante da gestão federal, associando ações do governo estadual às parcerias com Brasília.
Do outro, o senador Veneziano Vital do Rêgo, que também é aliado de Lula e disputará a reeleição ao Senado em uma chapa diferente, tendo como candidato ao Governo o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena.
O cenário, portanto, não é de oposição ao presidente, mas de concorrência entre aliados. E isso torna a decisão ainda mais sensível: qualquer movimento mais claro de Lula pode significar o enfraquecimento de um dos seus próprios palanques no estado.
A questão central deixa de ser “quem apoia Lula” — porque todos apoiam — e passa a ser “quem Lula deve priorizar”. De um lado, há o peso da lealdade construída por João, Galdino e seu grupo; do outro, a força política de Veneziano, que também integra a base do presidente e apresenta um projeto competitivo com Cícero.
Diante disso, Lula terá que equilibrar interesses sem romper pontes. Mais do que escolher um lado, talvez o maior desafio seja manter dois palanques ativos sem transformar aliados em adversários.
A dúvida que fica é: o que pesará mais? A lealdade de quem sempre esteve ao lado ou a estratégia de um palanque que inclui um senador aliado e competitivo?
No fim, a decisão de Lula na Paraíba não será apenas local. Ela revelará qual critério prevalece em seu projeto político: a fidelidade construída ao longo do tempo ou a conveniência eleitoral de uma aliança mais ampla.
