Categorias: Política

Dilma critica países desenvolvidos por querer estabelecer metas para os emergentes

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, chefe da delegação brasileira na Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, criticou os países desenvolvidos por tentarem impor aos emergentes obrigações, que, segundo ela, não lhes dizem respeito. Dilma, que participou de uma reunião com outros 60 ministros de vários países, disse que, se esse conceito fosse aceito na Convenção, seria um escândalo.

A crítica da ministra refere-se ao fato de os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, discutirem impor metas para que os países em desenvolvimento, sobretudo Brasil, China, Índia e Rússia, adotem. Porém, pelo protocolo de Kyoto, os emergentes e pobres não são obrigados a fixarem metas, mas a adotarem objetivos voluntários, ao contrário dos países ricos.

Aceitar que países em desenvolvimento são iguais aos países desenvolvidos é um escândalo. Seria um absurdo abrirmos mão das obrigações dos desenvolvidos – declarou Dilma.
 

– O Brasil tem uma posição firme em relação às regras do jogo. Temos de garantir que os países em desenvolvimento tenham o direito que lhes cabe. Não finjam que são países desenvolvidos porque não são – disse a ministra durante entrevista coletiva.

Dilma discorda das insinuações de alguns países de que o Brasil poderia ser responsabilizado pelo fracasso da Conferência por não abrir mão de sua insistência em cobrar compromissos dos desenvolvidos. Para ela, se o Brasil fizer isso, não haveria mais nada a negociar.

– Se eu passar por cima disso, eu abri mão de tudo. O que vou negociar? Isso significa que nós entramos com os recursos, nos responsabilizamos pela redução da emissão de gases? Se eu fizesse isso, não poderia voltar para casa – brincou.

– Temos de ter cuidado para não deixar que os países desenvolvidos coloquem seus problemas nos ombros dos países em desenvolvimento – observou.

Ela disse que apesar de o Brasil ter sido um dos primeiros a propor metas próprias, espera contar com financiamento externo para implementar mais rapidamente esses objetivos.

– Se tiver financiamento externo, faremos numa velocidade. Se não tiver, faremos em outra.

De acordo com a ministra, na reunião houve um avanço sobre a discussão do financiamento para que os países pobres e em desenvolvimento possam adotar medidas praticas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O debate de ontem abordou, por exemplo, temas como a obrigação das nações desenvolvidas, a criação de um fundo, quem seria responsável pela gestão e se haveria recursos somente públicos ou também privados. Uma reunião que ocorre hoje pretende discutir mais profundamente as fontes de financiamento e quais as prioridades.

– Houve um certo consenso de que vai ter de ter o fundo, com janelas para financiamento de florestas e também para adaptações – disse.

Sobre a gestão dos recursos, na reunião ficou mais ou menos acertado que o órgão gestor será multilateral, com uma combinação paritária entre representantes de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O Globo

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