Amigo declarado do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), recebeu de presente um telefone antigrampo para poder falar exclusivamente com o contraventor. Antes disso, Cachoeira – preso no mês passado na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal – dera ao parlamentar, de presente de casamento, um fogão e uma geladeira.
O telefone foi comprado por Cachoeira nos Estados Unidos. De acordo com relatório do Ministério Público Federal (MPF), divulgado pelo site da revista “Época”, 15 aparelhos foram habilitados em Miami. A intenção era fugir de possível grampo. Os procuradores afirmam que os telefones foram distribuídos a “membros do grupo criminoso”.
Segundo o jornal “Folha de S.Paulo”, Cachoeira também teria presenteado com um desses telefones Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador do DF, Agnelo Queiroz. Ele, porém, negou ter recebido o presente.
Conversas interceptadas pela PF, com autorização da Justiça, flagraram Idalberto Matias, o Dadá, ex-agente da Aeronáutica, também preso na operação da PF, conversando com Cachoeira. Nas conversas, segundo o relatório do MPF, eles falam que Cláudio Abreu, diretor da Delta Construção, seria o responsável pela distribuição dos aparelhos.
O GLOBO procurou o senador, mas ele não quis falar. Seu advogado, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, confirmou que seu cliente recebeu o telefone.
– O Cachoeira comprou os aparelhos e distribuiu para falar exclusivamente com ele. Eles se falaram diversas vezes, durante uns oito ou nove meses — declarou Kakay, observando que as conversas só foram interrompidas quando Cachoeira foi preso.
Perguntado se Demóstenes, que é promotor de Justiça e foi secretário de Segurança Pública de Goiás, não viu irregularidade em receber um telefone de um contraventor, Kakay declarou:
– Ele achou que era uma coisa normal. Não viu nada de irregular, uma vez que eram amigos.
Jornal o Globo








