O DEM formalizou nesta quinta-feira o apoio à candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado. Com o discurso de que o candidato Tião Viana (PT-AC) representaria o PT na presidência da Casa, os democratas decidiram apoiar o peemedebista mesmo com o alinhamento do candidato ao Palácio do Planalto.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), minimizou a proximidade do peemedebista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a sua ligação com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) –principal articulador da candidatura peemedebista.

“O senador Sarney é um homem de diálogo, não é petista, não tem alinhamento com o Executivo. O senador Tião é integrante do PT, que já detém o Executivo. Ter a presidência da República e do Congresso é um pouco demais”, afirmou o democrata.

Agripino disse que o DEM cobrou de Sarney a redução do número de MPs (medidas provisórias) enviadas pelo Executivo ao Congresso, assim como a implantação de rodízio nas relatorias das MPs.

O líder também desvinculou o apoio a Sarney à eventual aliança com o PMDB em 2010, para a disputa pela presidência da República. “Não há compromisso de votar em Sarney para o PMDB estar alinhado conosco em 2010. A opção é em cima das necessidades do Congresso Nacional”, afirmou.

Agripino reconheceu, porém, que o DEM decidiu migrar para a candidatura de Sarney porque a oposição não tem votos suficientes para eleger candidato próprio à presidência do Senado. “Se tivéssemos número para ganhar, teríamos uma candidatura nossa. Mas não temos. Então, apoiamos a candidatura mais viável. Não estou votando no Renan, estou votando no Sarney.”

Retorno

O DEM voltou nesta quinta-feira a ser a segunda maior bancada no Senado com o retorno da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) às atividades parlamentares. O partido tem, agora, 14 senadores –perdendo apenas para o PMDB, maior bancada, que reúne 20 parlamentares. O PSDB ficou em terceiro lugar, com 13 senadores, seguido pelo PT, com 12.

Maria do Carmo esteve afastada do Senado por mais de 120 dias em consequência de problemas de saúde. Apesar de ainda estar fisicamente debilitada, a senadora retornou num momento estratégico para o partido que, como a segunda maior bancada, passa a ser a segunda legenda com a prerrogativa de escolher cargos na Mesa Diretora e nas comissões permanentes da Casa.

A Folha Online apurou que integrantes do DEM apressaram o retorno da senadora para ajudar o partido a negociar cargos na disputa pelo comando do Senado. Oficialmente, porém, Agripino negou qualquer pressão para a volta de Maria do Carmo. “Ela estava de férias, na praia, está muito bem de saúde”, afirmou.

O DEM vai pedir a 1ª secretaria da Mesa, a ser ocupada pelo senador Heráclito Fortes (PI), assim como a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) ou da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). “Se o PMDB, que é a maior bancada, escolher a CAE, nós ficamos com a CCJ. Ou então, o contrário”, afirmou o líder.

Se ficar com a presidência da CCJ, como é a sua preferência, o DEM indicará o senador Demóstenes Torres (GO) para a sua presidência. O DEM ainda pretende indicar o senador Adelmir Santana (DF) para ocupar um segundo cargo na Mesa Diretora e o senador Raimundo Colombo (SC) para a liderança da minoria do Senado –que nesta legislatura está nas mãos do partido.

Folha

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