A decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro, em ordenar que os quartéis celebrem o dia 31 de março, data a qual faz alusão ao ano de 1964, quando foi deflagrado o golpe militar empregado pelas Forças Armadas no país, vem gerando uma série de reações, especialmente contrárias à orientação do chefe do Executivo nacional. Para o professor universitário e integrante da Comissão da Verdade na Paraíba, Rodrigo Freire, a determinação trata-se de uma “barbárie” cometida contra a sociedade brasileira. A declaração do docente repercutiu nesta terça-feira (26), durante o programa Arapuan Verdade.
“Isso, de fato, é uma barbaridade. O Brasil viveu 21 anos de ditadura que assassinou pessoas, mais que isso; torturou, prendeu, retirou empregos, censurou artistas, e obrigou centenas de milhares de pessoas a saírem do país, até porque eram impedidos de exercer livremente suas idéias, suas profissões”, observou.
Freire lembrou o estado de exceção consolidado no país, retirando direitos da população, fechando o Congresso e exercendo a quebra do direito constitucional com o chamado Ato Institucional Número 5 (AI- 5), posto em prática no governo do general Costa e Silva, em 1968.
Isso resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado .
Indignação de uns, ato normativo legal para outros, o advogado e jornalista Taiguara Fernandes explicou, no seu entendimento, que o período de ditadura militar não se iniciou com um golpe, mas sim uma reação contrária às idéias do então presidente João Goulart e a volta do chamado “getulismo”.
Getulismo é uma alusão ao movimento político empregado pelo ex-presidente Getúlio Vargas na condução do Brasil por atos populistas, que vai de 1930 a 1945, no qual houve a centralização do poder nas mãos do Executivo.
“Havia um grande medo da população. E naquele momento foi ela às ruas e solicitou, inclusive, não só das Forças Armadas, mas o Congresso Nacional , que depusessem João Goulart, o que acabou acontecendo, e originou aí o que nós temos com os governos militares, que se não tivesse ocorrido, essa é a visão do presidente Bolsonaro, muito provavelmente o Brasil teria sido cooptado pela União Soviética e hoje estaríamos em situação semelhante à própria Cuba”, analisou o advogado.
PB Agora
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