Fortalecido pela eleição municipal e com a vitória dupla, na Câmara e no Senado, o PMDB já começa a definir sua tática política para 2010. Alvo preferencial do governo e da oposição para uma aliança nacional, o partido sonha alto para se alinhar com algum candidato. Deseja comandar a Casa Civil do futuro governo e tomar conta da gerência executiva. Foi isso que o ministro da Integração Nacional, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), quis dizer quando, em tom jocoso, afirmou que queria ser “o Dilmo da Dilma”, ou seja, assumir a Casa Civil de seu eventual governo, não simplesmente ocupar a Vice-Presidência de uma chapa com o PT.
 

Não é à toa que o PMDB se mostra interessado pela Casa Civil. O posto é o mais estratégico da máquina federal. Coordena todas as ações dos ministérios e toca o ritmo das ações do Executivo. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seus dois ocupantes tiveram grande destaque. Primeiro foi José Dirceu, tratado como “superministro”, tamanha a influência que exercia sobre todos os programas. Depois, veio Dilma Rousseff, que, por seu perfil técnico de “gerentona” e na falta de um sucessor natural no PT, viabilizou a pré-candidatura presidencial.

 

“O PMDB era coadjuvante do processo sucessório, mas, com o comando do Congresso nas mãos e a possibilidade de reeleger de Temer e Sarney no início do próximo governo, pode querer o lugar de protagonista”, avalia o vice-líder do Planalto no Congresso, deputado Walter Pinheiro (PT-BA). Ele traduz a preocupação do PT de que os peemedebistas queiram inverter o cabeça de chapa e indicar o candidato a presidente. O PMDB não tem um nome natural para lançar na corrida sucessória, mas, como Dilma não está consolidada, líderes petistas não escondem o receio de que o partido aliado invista na construção de uma candidatura.

 

União

 

A cúpula peemedebista da Câmara, tendo à frente Geddel e o presidente da Casa, Michel Temer (SP), reúne-se nesta semana com a cúpula do Senado, comandada pelo presidente José Sarney (AP) e o líder da bancada, Renan Calheiros (AL). Depois de se confrontarem no processo sucessório, as duas alas do partido querem pôr um ponto final na disputa e se unir.

 

Foi o que Sarney indicou semana passada a um dos principais estrategistas da vitória do PMDB da Câmara, antes de seu cumprimento formal a Temer. Procurado pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS), que fez o primeiro gesto de aproximação, Sarney saudou o correligionário com um apelo: “Agora, temos de conquistar a unidade.” Nos bastidores, a avaliação é de que, se conseguir “uma unidade mínima”, o PMDB “manda” em qualquer governo.

 

Programa

 

Certo de que o que falta ao partido é um bom programa, não nomes para levar adiante uma candidatura presidencial, Padilha investe em programas de ensino à distância para a formação de líderes, candidatos e gestores públicos que, em parceria com universidades federais, atendem mais de 60 mil alunos. É a partir dos cursos da qualificação das bases que a fundação programa para junho o próximo congresso nacional do PMDB.

 

O deputado afirma que “100% das bases” desejam concorrer ao Planalto com candidato próprio. Entre as lideranças estaduais, a situação já é outra.”A maior parte quer, mas muitos não querem.” E finaliza: “Das lideranças nacionais do partido, a maioria não quer.”

 

É diante desse cenário que os pragmáticos das duas alas não hesitam em admitir que nenhum candidato levará o partido por inteiro e a grande maioria vai aderir ao que tiver mais chances de ganhar. Por isso mesmo, a unidade na diversidade passa a ser útil a todos.

 

Sonhar com a Casa Civil não significa que o PMDB a terá. Em uma aliança com Dilma, a composição parece ser mais fácil. Já com o PSDB, o cargo dificilmente será entregue a alguém que não seja próximo do presidente. Significaria a chegada da oposição ao poder e uma natural ocupação dos cargos de destaque por pessoas vinculadas ao grupo do novo presidente.

Estadão

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