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Concorrência de famosos pode apressar reforma política

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O deputado Celso Russomano começou sua vida política após ter participado da "cobertura" de televisão da morte da esposa por falta de atendimento médico. Hoje, vinte anos depois, candidata-se ao governo do Estado de São Paulo e ainda ressalta o episódio em seus programas, antes do tradicional "você me conhece".

Há outros candidatos a deputados que também se notabilizaram pelas perdas familiares que sofreram, ou pela forma pública com que lidaram com a questão.

Já o candidato Ronaldo Ésper se tornou ainda mais popular depois que foi flagrado supostamente retirando vasos de um cemitério à noite. Absolvido da acusação, nem se preocupa em esconder o dado de seu currículo. Na propaganda eleitoral, com um tempo precioso, desproporcional em relação aos demais novatos, relembra a seus possíveis eleitores que, "de vaso eu entendo".

Detonados de forma sistemática e quase fulminante pelos meios de comunicação, como se fossem todos indesejáveis e sem qualquer atividade relevante para o país, os políticos paulatinamente vão dando lugar na eleição a artistas, jogadores de futebol, palhaços, dançarinas e outros aspirantes à vida pública.

A regra dourada para o sucesso das candidaturas parece ser a exposição na mídia, qualquer que seja ela. Vítima ou acusado, tanto faz, a fama tem se tornado mais importante do que a reputação.

Algumas personalidades chegam ao ponto de terceirizar o seu prestígio. No horário eleitoral, vêem-se constrangedoras situações de candidatos mudos, que são apresentados como herdeiros dessas subcelebridades.

Famosos por instantes, ou nem tanto, estes nomes são disputados pelos partidos como verdadeiras iscas, capazes de render mais votos e carregar políticos menos populares nas costas.

Diante deste quadro quase carnavalesco, repleto de candidatos-personagens, a reforma política pode retornar ao Congresso como prioridade na nova legislatura.

Temida até então por parte significativa dos parlamentares, e não realizada em face da dificuldade de encontrar consensos, as mudanças constitucionais podem significar uma tábua de salvação para muitos da classe política.

Duas questões são centrais no debate: a votação de candidatos proporcionais por listas partidárias e o financiamento público de campanha.

Contra a votação em listas, sempre se opôs o poder que seria conferido às cúpulas dos partidos de estabelecer a ordem dos candidatos – eis que os votos seriam destinados às legendas.

De outro lado, as listas formariam a noção de que os eleitores devem escolher os partidos e não as personalidades que hoje praticamente prescindem deles.

O financiamento público de campanha tem como objetivo estimular o maior equilíbrio entre as candidaturas, evitando o abuso do poder econômico e, especialmente, a cobrança dos doadores aos eleitos.

O financiamento por empresários, como acontece hoje com a maioria dos partidos, é a porta pela qual as futuras negociatas são estabelecidas. Os eleitos já tomam posse em dívida com seus patrocinadores.

A grande dúvida com relação às mudanças sempre foi o seu timing.

A reforma fortalece e centraliza a vida política nos partidos. Mas poucos são os que acreditam que as atuais agremiações têm a consistência necessária para enfrentá-la. Está cada vez mais difícil estabelecer critérios capazes de distingui-los perante os eleitores.

O regime militar de mais de duas décadas causou sensível desorganização na vida partidária da qual até hoje nos ressentimos. Os partidos foram obrigados simplesmente a começar do zero e, estimulados pelas coligações nas eleições posteriores, viram suas diferenças se tornando cada vez mais fluídas.

Por estes motivos, há quem acredite não ser possível fazer uma reforma política fundada em partidos fracos.

Mas, de outro lado, é razoável supor que as exigências provocadas por tais alterações podem justamente fortalecer os partidos, ajudando a evitar que continuem servindo de plataforma de aluguel para interesses pessoais.

Se a reforma até agora vem sendo tratada em banho-maria, o instinto de sobrevivência, que é o mais apurado dos sentidos de um político, pode fazer com que a questão retorne à baila no começo da nova gestão.
 

 

Terra Magazine

 

 

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