Em um ano e meio de trabalho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) conseguiu localizar e identificar os restos mortais de apenas três vítimas da ditadura militar (1964-85) dentre as mais de 200 que permanecem desaparecidas.
Ao todo, a CNV identificou 434 vítimas da ditadura, segundo o relatório final da comissão, entregue nesta quarta-feira (10) à presidente Dilma Rousseff. O número é composto por 191 mortos e 243 desaparecidos. Destes, 32 já haviam tido os corpos encontrados antes da instalação da comissão.
Os três corpos que a CNV conseguiu localizar são de Epaminondas Gomes de Oliveira, Paulo Torres Gonçalves e Joel Vasconcelos Santos.
O jurista Pedro Dallari, coordenador da comissão, considera o baixo número de desaparecidos localizados "a maior frustração" da CNV e responsabiliza a falta de apoio das Forças Armadas como o principal fator. De acordo com ele, os militares desapareceram ou ocultaram documentos e não contribuíram com as investigações. No total, 377 militares foram indicados como responsáveis por graves violações de direitos humanos durante o regime militar, mas um terço já morreu.
Neste ano, Exército, Aeronáutica e Marinha realizaram sindicâncias em instalações militares usadas pela repressão. A apuração foi feita por determinação do Ministério da Defesa, que atendeu a pedido da CNV, mas as sindicâncias concluíram não haver indícios de que foram cometidas ilegalidades nestas instalações.
No relatório final, a comissão afirma que o número de vítimas mortas e desaparecidas "certamente" é muito maior, uma vez que o montante refere-se apenas àquelas que foram identificadas. Não foram contabilizados, por exemplo, indígenas de várias etnias que foram mortos pelo regime.
Entre os waimiri-atroaris, povo que vive no Amazonas e em Roraima, foram mais de 2.500 mortos e desaparecidos entre 1972 e 83, período em que a população da etnia caiu de cerca de 3.000 pessoas para 350, segundo o relatório. Também não estão na conta as vítimas dos "esquadrões da morte", grupos formados por policiais, subordinados aos Dops (Departamento de Ordem Polícia e Social), que provocaram centenas de mortes nas periferias das grandes cidades durante a ditadura.
Os três localizados
Sapateiro e líder comunista no Maranhão, Epaminondas Gomes de Oliveira desapareceu em 1971, quando tinha 68 anos. Ele foi morto no Hospital Militar de Área de Brasília. Para a investigação do caso foram colhidos 41 depoimentos em Brasília, no Maranhão e em Tocantins.
A comissão obteve documentos que mostram que Epaminondas foi torturado numa área próxima entre Porto Franco, cidade onde vivia, e Imperatriz, no Maranhão. Ele foi novamente torturado no PIC (Pelotão de Investigações Criminais), em Brasília, até ser morto no dia 20 de agosto de 1971.
Na terça-feira (9), véspera da divulgação do relatório, a CNV anunciou ter localizado as ossadas de duas vítimas desaparecidas: Paulo Torres Gonçalves e Joel Vasconcelos Santos. A CNV também afirmou ter encontrado indícios de uma ossada que pode pertencer a Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, desaparecido em 1971, época em que militava no MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro).
UOL
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