Na política paraibana, poucos personagens traduzem tão bem a ideia de resiliência quanto Damião Feliciano. A sua recente chegada à presidência do União Brasil no estado não é apenas uma mudança administrativa — é, sobretudo, um símbolo: o de que ele volta a ter um partido para chamar de seu.
Não é a primeira vez. Durante anos, Damião construiu sua trajetória no comando do PDT, onde consolidou bases e ampliou sua influência. A saída da legenda, à época, foi vista por muitos como o início de um declínio. Não foi. Como em outros momentos da sua carreira, ele reapareceu reorganizado, silencioso e, principalmente, competitivo.
Subestimá-lo, aliás, tem sido um erro recorrente de adversários. Em eleições passadas, já foi tratado como carta fora do baralho — chegou a ser chamado de “bicho enrolão” por Luciano Cartaxo —, mas a história recente mostra outra realidade: Damião segue encontrando caminhos para se manter relevante.
Na última eleição, por exemplo, garantiu mandato nas últimas vagas. Para alguns, isso poderia ser visto como fragilidade. Mas a lógica é simples — e ele próprio parece compreender bem: assim como em um concurso público, quem passa em primeiro e quem passa na última colocação ocupa exatamente o mesmo cargo. No fim, o resultado é o que importa.
Mais do que isso, o deputado demonstra habilidade em articular poder para além das urnas. Um exemplo recente foi a indicação do filho para o primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Ministério do Turismo — movimento que reforça sua capacidade de transitar em diferentes esferas políticas.
Mas talvez o ponto central da sua longevidade política esteja menos nos cargos e mais no método. Damião construiu, ao longo dos anos, uma atuação baseada no contato direto com a população — o chamado “projeto de coração para coração”. É uma estratégia menos ruidosa, porém consistente: presença, assistência e memória. E, na política, ser lembrado pode significar ser votado.
Ao reassumir protagonismo partidário, ele reafirma uma característica que o acompanha: a de se reinventar. Em um cenário onde muitos são rapidamente descartados, Damião Feliciano segue desafiando previsões.
Quem o considera peça superada no tabuleiro político talvez esteja olhando o jogo de forma apressada. Porque, ao que tudo indica, ele ainda não saiu da partida — e pode estar apenas preparando o próximo movimento.
