Categorias: Política

Com fama de ‘Camaleão’, deputado deixa PEN pelo PSD

Com a decisão, deputado assume o risco de perder o mandato por infidelidade

 

Encerrado o ‘Feirão’ das filiações partidárias um acontecimento pitoresco abalou os bastidores na Assembléia Legislativa da Paraíba.

 

O deputado estadual João Gonçalves decidiu abandonar o barco do presidente Ricardo Marcelo e assinou ficha de filiação do PSD do vice-governador Rômulo Gouveia, com que mantinha proximidade desde o governo Cássio Cunha Lima. Sua filiação ao PSD bateu na trave quando o partido foi criado em 2011 e João Gonçalves, a pedido de Cássio, decidiu na oportunidade permanecer temporariamente no PSDB.

 

Com fama de ‘camaleão’, réptil conhecido por mudar de cor de acordo com a circunstância do momento, Gonçalves acabou confirmando as previsões feitas pelo PB Agora há mais de 90 dias, de que ele só estaria agarrado ao PEN até o final de prazo para as mudanças de legenda.

(Relembre aqui: Acostumado a pular de galho em galho, deputado teme pegar o “bicho” errado em 2014)

Não deu outra. ‘João pra cuidar da gente’ esperou o último dia para mudar de legenda e procrastinar a abertura do prazo da ação de infidelidade partidária que deve tramitar na Justiça Eleitoral.

 

Seguindo a máxima de Assis Chateaubriand que dizia que a “a coerência é a virtude dos imbecis”, Gonçalves esteve em três partidos diferentes em menos de um ano. Trocou o PSDB pelo PEN e agora trocou o PEN pelo PSD.

 

A nova mudança desgasta ainda mais a imagem do deputado. Sua fama de pender sempre para os líderes políticos que estiverem com o ‘poder da caneta’ tem baixado muito a credibilidade de João Gonçalves perante a opinião pública paraibana nos últimos tempos e pode comprometer seriamente a sua reeleição em 2014.

 

O PB Agora fez uma breve retrospectiva de episódios que provam a nossa tese:

 

Só para refrescar a memória, João Gonçalves adotou um comportamento vacilante na eleição de 2010, apoiando abertamente o PMDB. Além disso, sem a autorização do PSDB, João indicava cargos na gestão de José Maranhão e votava favorável todas as matérias encaminhadas pelo Palácio da Redenção para a Assembléia Legislativa. O parlamentar chegou até a apoiar voto de aplauso a então secretária de comunicação, Lena Guimarães, à época duramente criticada pela oposição ao governo Maranhão III. 

 

Por essas e outras, ele quase não se reelegia para deputado estadual, perdendo metade da votação em João Pessoa em relação à eleição anterior, se safando na última vaga dos eleitos pelo PSDB.

 

Após a derrota de José Maranhão, o primeiro ato de Gonçalves foi declarar apoio ao “novo governador” Ricardo Coutinho. O mesmo político que atacava de forma virulenta antes da eleição, tachando-o inclusive como ditador, entre outras ofensas mais graves. 

 

Em 2012, João tenta articular, sem sucesso, uma aliança dos tucanos com o então prefeito socialista Luciano Agra. Devido à força do senador Cícero Lucena na executiva nacional do PSDB, a estratégia não prospera e João, com várias indicações na prefeitura, declara seu apoio à reeleição de Luciano Agra, mesmo filiado ao PSDB, cometendo a segunda infidelidade consecutiva no ninho tucano.

 

Sem horizonte político após a carta de renúncia de Luciano Agra, Gonçalves foi um dos líderes do fatídico movimento “Volta Agra”. Em protesto contra o atropelo da cúpula do PSB sobre Agra, o deputado passou então a não votar mais as matérias de Ricardo Coutinho na casa de Epitácio Pessoa.

 

 

O ‘Volta Agra’ não surtiu efeito e o deputado se viu num verdadeiro “mato sem cachorro”.

 

Com pouco crédito junto a Ricardo Coutinho depois de encampar o movimento ‘Volta Agra’, Gonçalves deu como resposta ao governador a sua filiação ao Partido Ecológico Nacional do presidente da Assembléia Legislativa, Ricardo Marcelo.

 

Sem Agra na disputa eleitoral e sem compromisso com Ricardo Coutinho, João passou então a negociar a sua adesão com os quatro candidatos a prefeitura de João Pessoa – Cícero Lucena, de quem foi aliado durante mais de uma década. José Maranhão, de quem obteve cargos no governo. Luciano Cartaxo, que tinha o apoio de Agra, a quem devia favores. E Estela Bezerra, que representava Ricardo Coutinho, a quem não pretendia deixar as portas fechadas.

 

Nenhuma das quatro candidaturas topou acordo com o deputado, e ele se manteve em cima do muro no 1º turno das eleições em João Pessoa.

 

Com o resultado esmagador do 1º turno apontando uma goleada em favor do candidato petista, João Gonçalves finalmente se decidiu, adivinhem por quem: pelo candidato virtualmente eleito, Luciano Cartaxo.

Mas não pensem que o parlamentar se conformou com a aliança com Luciano Cartaxo. Ele tambám quis se reaproximar do Governo do Estado, fazendo as pazes com Ricardo Coutinho. De novo.

 

Dessa forma, o deputado conseguiu a façanha de ser aliado tanto do governador Ricardo Coutinho (PSB) quanto do prefeito Luciano Cartaxo (PT), diga-se de passagem, inimigos figadais.

 

Somando-se a todas essas proezas, João Gonçalves também não quis deixar de estar próximo do presidente da Assembléia Legislativa, Ricardo Marcelo.

Um malabarismo digno de artista de ‘Circo du Soleil’!

Todavia, após a filiação do ex-prefeito Luciano Agra no Partido Ecológico Nacional, que carimbou o partido na oposição, João Gonçalves se viu entre a cruz e a espada ao ter que optar, obrigatoriamente, por um dos ‘dois Ricardos’. Optou finalmente, pelo Coutinho. E deixou o Marcelo a ver navios!

 

PB Agora

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