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Colegiados são loteados por políticos que receberam dinheiro de empresas

Colegiados são loteados por políticos que receberam dinheiro de empresas

Levantamento do Correio aponta que é comum no parlamento encontrar deputados e senadores titulares de comissões que representam os interesses de grandes financiadores de suas campanhas

A distribuição de deputados e senadores pelas comissões permanentes das duas Casas mostra recorrentes coincidências entre a vaga ocupada pelos parlamentares e a área de influência dos financiadores de suas campanhas. Levantamento do Correio com base nos registros da Justiça Eleitoral separou os doadores por áreas e encontrou dezenas de casos em que os colegiados foram loteados por políticos que receberam dinheiro de empresas e indústrias ligadas aos temas discutidos nesses grupos.

No Senado, a disputada Comissão de Infraestrutura tem nada menos do que 64% dos seus membros financiados por empreiteiras. A começar pela presidente Lúcia Vânia (PSDB- GO), que recebeu ajuda de mais de R$ 700 mil do setor, outros 13 integrantes precisaram do dinheiro de construtoras para se eleger. A maior doação recebida de empreiteiros declarada à Justiça foi de Lindbergh Farias (PT-RJ), com R$ 2,1 milhões.

“Acho que essa relação não tem efeitos práticos. A nossa comissão não trata de contratos, de licitações ou de qualquer outra coisa que resulte em obras. Tratamos de interesses maiores, de questões relevantes para a sociedade. Nenhum membro tem poder de ajudar ou interferir para ajudar empresas. Por isso acho que no caso da infraestrutura não há conflitos de interesses”, avalia o senador.

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a história é a mesma. Sete parlamentares titulares do colegiado receberam dinheiro de instituições financeiras — principalmente bancos — para se elegerem. Um deles foi o próprio presidente, Delcídio Amaral (PT-MS), que conseguiu que banqueiros contribuíssem com R$ 300 mil durante sua campanha política.

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara também está repleta de deputados que receberam ajuda de bancos. Dos 33 membros, oito foram financiados por gigantes do setor. O deputado Rui Costa (PT-BA), que assumiu uma vaga no colegiado porque seu partido negociou com o PDT, recebeu pouco mais de R$ 100 mil de instituições financeiras e foi para o início da fila dentre os financiados por bancos na Câmara. Segundo ele, sua independência em relação à contribuição recebida se deve principalmente ao fato de que o valor representa menos de 10% do total que ele arrecadou. “Se você analisar minha lista de doadores vai ver que há uma pulverização grande. Muita gente e diferentes setores contribuíram. Se fosse analisar dessa forma e tentar evitar esse tipo de ligação, não haveria comissão que eu pudesse participar”, alega.

Proximidade
Na Câmara, o loteamento da Comissão de Minas e Energia é um dos que demonstra a relação próxima dos parlamentares que a integram com seus financiadores. Dos seus 30 integrantes, 11 receberam dinheiro de mineradoras e siderúrgicas. No meio do percentual de 36% de financiados está o próprio presidente do colegiado, Luiz Fernando Faria (PP-MG).

Na Comissão de Seguridade Social, cujo principal assunto nas discussões é a saúde pública, o presidente do grupo, Saraiva Felipe (PMDB-MG), e outros quatro deputados receberam dinheiro de grandes empresas, principalmente de planos de saúde, durante a campanha eleitoral. “Recebi o financiamento e estou nesta comissão porque é minha área. Não há conflito de interesses. Sou um defensor do Sistema Único de Saúde e quem contribuiu com minha campanha sabe bem disso. Além do mais, as sessões são públicas e podem ser fiscalizadas pela sociedade”, diz o presidente do colegiado.

A forma como os partidos políticos distribuíram seus integrantes pelas comissões que mais importam para quem os financiou também ficou clara nos grupos que tratam do interesse de produtores e rurais. Na Comissão de Agricultura da Câmara, por exemplo, 60% dos integrantes receberam dinheiro de ruralistas endinheirados cujos pleitos, na maioria das vezes, divergem das ambições dos pequenos produtores. Uma das doações mais altas feitas pelos ruralistas foi para a campanha do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Ao todo, ele conseguiu quase R$ 900 mil de grandes produtores.

“Fui financiado porque esse é meu setor. Mas trabalho não apenas para a industria que contribuiu, mas para o pequeno produtor também. O Rio Grande do Sul depende de uma cadeia de relações referentes à produção. Quando essa cadeia entra em choque, tomo o lado dos produtores”, afirma.

 

Na comissão de Assuntos Econômicos do Senado, sete parlamentares titulares receberam dinheiro de instituições financeiras na campanha eleitoral

 

PB Agora

com Correio Braziliense

 

 

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