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Classes D e E sustentaram crescimento do país durante a crise, diz Lula

Presidente disse que setores que deixaram de investir ‘vacilaram’.
Lula participou de abertura de feira da construção em São Paulo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (6), que as classes D e E sustentaram o crescimento do país durante a crise econômica mundial.

 

Lula criticou setores que, segundo ele, “vacilaram” ao deixar de investir e a classe média e alta que “parou de comprar” naquele momento. “Quem sustentou o crescimento deste país foram as classes D e E, que foram às compras.”

 

As declarações foram dadas durante a cerimônia de abertura da 18ª Feira da Indústria da Construção e Iluminação, em São Paulo.

 

Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 0,2%. Em 2008, a expansão da economia brasileira foi de 5,1%.

 

“Vocês não sabem o orgulho que eu tenho de estar fazendo casas para as pessoas que ganham de zero a três salários mínimos e de três a seis salários”, disse, em referência ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

 

Três nações mais importantes

O presidente afirmou que “chegou a andar de cima” e que quer levar com ele “milhões de brasileiros que não tiveram essa chance”. “Quando a gente construir uma sociedade em que todos podem chegar ao andar de cima, pode estar certo que o Brasil estará entre as três nações mais importantes do mundo”, disse.

 

Lula voltou a fazer críticas aos governos anteriores. Sem citar nomes, ele afirmou que o setor de construção civil foi “deteriorado” por mais de 20 anos. “É importante lembrar a situação que a gente estava há cinco ou seis anos atrás. Porque, de repente, as pessoas se esquecem do mundo de onde a gente veio, do mundo onde a gente está”, disse, citando, em seguida, números relativos a políticas públicas do governo, como o crescimento do crédito, de R$ 5 bilhões em 2003 para R$ 45 bilhões em 2009.

 

‘Metamorfose ambulante’

Cobrado para que haja incentivo do governo para a capacitação dos trabalhadores da construção civil, Lula brincou ao dizer que pautas de reivindicações podem ser apresentadas “enquanto há tempo” e criticou governantes que não dialogam com os setores produtivos.

 

“Acho que não existe possibilidade de um governo fazer as coisas corretas se ele não tiver ouvidos para ouvir, se não sentar para conversar sem a arrogância daqueles que acham que ao chegar no governo sabem tudo. É o ministro da Fazenda que sabe tudo, é o ministro do Planejamento que sabe tudo e quando termina o mandato não fizeram nada. É por isso que eu digo sempre que prefiro ser uma metamorfose ambulante, aprendendo a cada dia, conversando a cada dia.”

 

 

 

Folha

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