Categorias: Política

Chapa ‘nora e sogra’ é lançada em Areia e analista diz que fato representa uma herança da escravidão e do coronelismo

O município de Areia, no Brejo da Paraíba, lançou uma chapa inusitada para a corrida sucessória na cidade. Será a nora e a sogra na disputa pela prefeitura municipal. A dobradinha familiar foi anunciada nesse final de semana durante convenção na calçada de uma das ruas.

Na cabeça da chapa, como candidata a prefeita, foi oficializada a médica doutora Silvia, esposa do ex-prefeito Dr. Elsinho Cunha Lima. Já como vice está a mãe do ex-gestor, conhecida como Dona Marília, que já é a atual vice-prefeita da cidade, e concorre ao lado da nora para permanecer no cargo.

Na cidade, Anna Aparecida, filha do deputado estadual Tião Gomes (Avante), também está no páreo. Além dela, o atual prefeito João Francisco (PSDB) também concorre à reeleição.

Mas a estratégia de colocar parentes na política não é novidade. Segundo o analista Marcos Verlaine, integrante do Diap, o fenômeno de indicar parentes é muito recorrente no Brasil, e representa uma herança da escravidão e do coronelismo.

Desde 2018 que a chamada bancada familiar vem crescendo no mundo político. Agora em 2020 essa  manobra se mostra novamente viva, não sendo restrita ao poder legislativo.

“Se você pegar os eleitos em Pernambuco, todos tem relação de parentesco, literalmente todos. Isso está muito caracterizado no Nordeste por conta do fenômeno do coronelismo. Você tem um coronelismo moderno, os caras são donos de televisão, tem grandes fortunas, donos de rádio, tem grande influência no eleitorado influenciado pelo poder financeiro dessas famílias e oligarquias. Essa relação de parentesco tem muita relação com o período escravista. É nome, sobrenome, você chega no interior do Brasil e as pessoas são conhecidas pela relação de parentesco. Se for rico então isso tem muito mais peso. Nos países desenvolvidos isso não existe, isso é mais na periferia dos países em desenvolvimento, e no Brasil em função desse contingente de pessoas alheias à política”, comentou o analista sobre a hereditariedade do poder.

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Redação

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