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CEM dias SEM avaliação e Campina de fora das futuras ações

É como se o governador, de um momento para o outro, tivesse percebido o erro que foi agendar uma solenidade para marcar os cem dias de governo. É, porque foi a primeira vez que vi alguém convocar a imprensa para falar dos cem primeiros dias de sua gestão, mas não fazê-lo e anunciar metas para o futuro. Isso mesmo. Ricardo não falou sobre o que fez – também, pudera, né? – e apenas apresentou propostas.

Quem esteve presente imaginou que ele estava na campanha, do primeiro para o segundo turno, quando fez idêntica solenidade para apresentar suas propostas para um eventual futuro governo. Aliás, muito do que ele apresentou estava contido no seu programa de governo – algumas ações, inclusive, Ricardo anunciara, na época, como imediatas. Quem sabe para os cem dias ‘comemorados’.

O fato de o governador ter optado por não falar do que fez – ou não – nos primeiros cem dias de governo não foi estratégico. É que ele não poderia mesmo fazer avaliação, pois a maioria da população não vê o governo com bons olhos, neste momento.

E, neste caso, não quero aqui afirmar se o governo fez ou deixou de fazer. O que falo é do sentimento da opinião pública em relação ao governo, neste momento. Se Ricardo ou algum Ricardista não concordar que, atualmente, o governo está mal, deve começar a rever seu modo de perceber as coisas. Principalmente as coisas óbvias…

Um fato que chamou a atenção foi a ausência do principal aliado – até quando ninguém sabe – Cássio Cunha Lima, no evento dos cem dias. A exemplo do que fez na posse de Ricardo, Cássio não compareceu e recorreu a desculpa qualquer para justificar a sua ausência.

Na posse, todos lembram, ele disse que tinha tomado todas no réveillon e que estava de ressaca. Como a solenidade foi à tarde, ficou a dúvida no ar: será que a ressaca durou o dia todo? Desta vez, disse que estava em São Paulo e que tinha ido visitar Shaolin, no hospital. Mas tinha que visitar Shaolin justamente no dia do evento dos cem dias???

Detalhe interessante é que, até o meio dia, Cássio não tinha dado as caras, nem justificado a ausência. Só depois, ele veio com esta da visita a Shaolin. E via twitter, como tem feito nas outras solenidades importantes do Governo do Estado que por ele são ignoradas. Estranho, não?

E, pior, no dia seguinte eis que Ricardo faz solenidade idêntica em Campina Grande sobre os tais cem dias de governo e Cássio, novamente, não comparece. Na véspera, disse que tinha ido visitar Shaolin. Como não poderia dizer que estava indo a Shaolin novamente, limitou-se a dizer, via twitter novamente, que havia continuado em São Paulo para “resolver problemas pessoais”.

Bom, se Ricardo não tinha do que falar sobre os primeiros cem dias, preferiu jogar para a frente. Anunciou um pacote com mais de cem ações para o futuro. E, neste pacote, mais uma vez Ricardo esqueceu que Campina Grande existe.

– Não houve referência à inauguração do novo Hospital Regional;

– Nem de apoio ao Maior São João do Mundo 2011, que está a menos de dois meses de seu início;

– Nem de ações para fortalecer a Secretaria de Interiorização, que fica em Campina;

– Nem de disposição para receber, em audiência, o prefeito da cidade;

– Nem de ações para recolocar em funcionamento a Escola de Audiocomunicação, que está fechada;

– Nem a retomada das obras de pavimentação das estradas que ligam Campina Grande a comunidades e distritos (a exemplo de Jenipapo e Catolé de Boa Vista), iniciadas no governo José Maranhão e que continuam paralisadas;

– Nem a retomada das obras de pavimentação de ruas na zona urbana de Campina, que continuam paralisadas;

– Nem a disposição de regularizar os repasses financeiros feitos à Universidade Estadual da Paraíba, respeitando a sua autonomia financeira;

– Nem a retomada das obras da Biblioteca Central da UEPB, iniciadas no governo José Maranhão;

– Nem a confirmação de que a sede da UEPB continuará em Campina, acabando de vez com a especulação de que será transferida para João Pessoa;

– Nem a retomada da distribuição de cuscuz e leite, dentro do programa Cuscuz com Leite, implantado no governo Cássio e suspenso no atual governo;

– Nem a normalização dos repasses financeiros ao Programa Farmácia Básica de Medicamentos, que foram cortados no início da atual gestão;

– Nem a retomada dos repasses financeiros para o SAMU, que foram cortados no início do atual governo;

– Nem a regularização do envio de vacinas para Campina Grande, cuja quantidade foi drasticamente reduzida pelo governador, após tomar posse;

– Nem a regularização no pagamento dos terços de férias dos servidores, suspensos após a posse do atual governador;

Ufa!!!

Desta forma, é de se perguntar: até quando o povo vai agüentar essa falta de respeito, hein? E até quando os aliados de Ricardo (Cássio, Rômulo Gouveia, Romero Rodrigues, Manoel e Ivonete Ludgério, dentre outros) em Campina vão continuar calados?

Aliás, foi frustrante para mim ouvir Rômulo Gouveia discursar em favor de Campina, dizendo que Ricardo estava anunciando “obras na região de Campina”, citando o programa de integração municipal; o Porto Seco; a anistia de multas do IPVA, desde que o emplacamento de 2011 seja pago, para motos de até 150 cilindradas; a adutora não sei de onde não sei pra onde e o Centro de Inovação Tecnológica Telmo Araújo – CITTA.

Aliás, o CITTA, única exceção aos ‘anúncios’ de Rômulo será implantado num prédio cedido pela Prefeitura de Campina Grande à Fundação Parque Tecnológico e que tem a promessa de ser reformado pelo Governo do Estado.

É brincadeira…


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