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Cassio, Rômulo, Romero, Ludgério e o exemplo de Zé Alencar

O que mais perturba os campinenses atualmente não é o fato de o governador Ricardo Coutinho ter anunciado que, este ano, o Governo do Estado não dará um só centavo de patrocínio para o Maior São João do Mundo. Ricardo não é de Campina Grande e, mesmo tendo sido bem votado na cidade (obteve dois terços dos votos válidos) não deve se sentir na obrigação de atender aos pleitos da Rainha da Borborema.

O que mais preocupa Campina Grande neste momento é o silêncio de pessoas como Cássio Cunha Lima, Rômulo Gouveia, Romero Rodrigues, Manoel Ludgério e tantos outros que são de Campina Grande e que servem ao grupo político do governador, mas que não defendem a cidade num momento em que se espera postura bem diferente da que apresentam agora.

É muito cômodo para cada um deles concordar com o governador e dizer que não haverá participação do Governo do Estado no rol de patrocinadores do Maior São João do Mundo 2011 porque o Estado está quebrado, em que pese haver discordância nesta argumentação, em face dos números apresentados pelo próprio Governo do Estado e que mostraram uma realidade bem diferente do que apregoa o governador.

Isso mesmo. Os auxiliares de Ricardo divulgaram no Diário Oficial do Estado que as finanças estão muito bem, obrigado, colocando terra nos argumentos do governador. Este fato, por si só, calou os argumentos e desmoralizou os discursos. O que não é cômodo é saber que existe um exemplo bem mais republicano do que o adotado hoje por Cássio, Rômulo, Romero, Ludgério e os demais: o do ex-vice-presidente da República José Alencar.

Durante os oito anos em que foi companheiro de Lula, Alencar não demonstrou subserviência ao defender seus ideais, sua classe empresarial. Não demonstrou subserviência ao se opor ao presidente na questão dos juros, por exemplo. E, nem por isso, foi destratado por Lula, criticado pelo presidente.

Desta forma, seria muito mais honroso para cada um dos campinenses defender a tese de sua cidade e de seu povo. Seria mais coerente com a história de cada um ficar ao lado do São João, a ‘menina dos olhos’ dos campinenses. Ou seja: simplesmente, adotar o espírito republicano de José Alencar.

Que cada um adotasse para si o discurso de Campina. Ou será que cada um destes não tem coragem suficiente para discordar do governador quando ele diz que o São João de Campina Grande “não é lá essas coisas que vocês afirmam”, como disse Ricardo Coutinho a Veneziano, Gilson Lira e os demais secretários que acompanhavam a audiência – inclusive eu.

Será que é tão difícil dizer ao governador que Campina Grande faz um evento que traz retorno econômico para a Paraíba, que eleva ainda mais o nome de nossa cidade e do nosso Estado? É difícil discordar do governador e defender seus ideais? Vale mais a pena virar as costas para toda uma vida de dedicação (???) a Campina e se quedar ao discurso já desmoralizado de que “o Estado está quebrado?”

Este discurso está tão em baixa que tive dó de Aracilba Rocha, em entrevista a Luis Torres e credenciada bancada, esta semana, tentando justificar a falta de investimentos do Estado, diante de tão diferente realidade apregoada por Ricardo e os seus. Tão em baixa que Ricardo já anunciou apoio ao Festival Bregareia de Areia, mesmo dizendo que, para Campina Grande, “não tem dinheiro para festas”.

O ex-vice-presidente José Alencar mostrou que um homem público não pode abrir mão de seus ideais e das idéias que defende em nome de uma relação política. Criticou o governo do próprio companheiro Lula e nem por isso deixou de ser vice, deixou de ser convidado para concorrer em nova eleição como vice, deixou de ter o respeito do presidente. Pelo contrário, ganhou mais pontos com Lula e, sobretudo, com a classe que defendia ardorosamente. E com o país, registre-se.

Pessoal… um pouco de personalidade e de espírito próprio não faz mal a ninguém. Lembremos dos discursos em favor de Campina e de um amor extremamente propalado e decantado eleição após eleição. Não abusemos da inteligência do povo. Identidade própria e posição firme são atributos que devem nortear a atuação dos homens públicos.

Viva José Alencar e seus exemplos de homem público. A Paraíba carece disto.


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