O ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) já tem conhecimento de que, dificilmente, poderá ser candidato nas eleições deste ano. E isso ele confidenciou, recentemente, a três íntimos assessores – ou, mais que assessores, íntimos amigos. Foi através de um deles que tive esta confirmação: Cássio é sabedor de que a possibilidade de se candidatar é remota e já começou a por em prática a sua estratégia de sobrevivência política.
O que o interlocutor me disse é o que vemos a olho nu, todos os dias, mas que era preciso alguém fazer o alerta para que percebêssemos: Cássio já está atuando de forma a sair do episódio por cima, de cabeça erguida, mesmo sendo considerado, oficialmente, ‘ficha suja’ e perdendo o direito da elegibilidade por oito anos.
A estratégia é simples: ocupar a mídia – ele mesmo, não seus assessores e amigos – e colocar na cabeça do seu fiel eleitorado que está saindo da cena política paraibana, temporariamente, de forma extremamente injusta. E é isso o que Cássio tem feito – e muito bem, diga-se de passagem.
É aí que vemos que essa estratégia já deu certo. Cássio foi cassado duas vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba – TRE-PB e uma vez pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Teve que deixar o governo, obrigado pela Justiça, e entregá-lo ao seu principal opositor no Estado: o hoje governador José Maranhão (PMDB). Da mesma forma, seus assessores mais diretos fizeram isso com seus cargos, entregando-os um a um a seus principais oponentes em suas regiões de atuação política.
Um caso emblemático é o do assessor Zé Gotinha, de Campina Grande, que teve que entregar cargo, sala, carro e celular para o seu irmão – porém inimigo mortal – Assis Costa. Quer humilhação política maior?
Mesmo assim, esse Cássio cassado, arrasado, humilhado, desenvolveu uma das maiores estratégias de manutenção de imagem política que já vi. O trabalho começou nos meses que antecederam a cassação, quando Cássio teve a certeza de que dificilmente escaparia da guilhotina da Justiça Eleitoral. Aí ele iniciou a estratégia. Ele mesmo ia às emissoras, dizer que não seria cassado porque era inocente, que só tinha dado dinheiro aos pobres, etc, etc, etc. A estratégia deu tão certo que o homem saiu pela porta dos fundos do governo e entrou pela porta da frente na pré-campanha eleitoral de 2010.
Agora, a estratégia se repete: Cássio – ele mesmo, sem mandar intermediários – vai à mídia e diz que é ‘ficha limpa’, que vai poder se candidatar, que já cumpriu a sua pena, que não pode ser imposta uma nova pena após o cumprimento da inicial, que a lei não retroage para prejudicar, etc, etc, etc. É a mesma estratégia ou não é?
Digam-me: em que lugar do mundo alguém que passa por situação tão constrangedora encara a mídia de frente, se isso não for uma estratégia? Claro que os políticos evitam a mídia quando o assunto não lhes é favorável. O próprio Cássio evitava comentar na mídia os processos aos quais respondia – e, em alguns casos, ainda responde – enquanto mantinha a esperança de se livrar deles, só passando a falar publicamente quando obteve a certeza da dificuldade de se manter no cargo. Efraim Moraes também não fala sobre os problemas que enfrenta atualmente… Maluf e tantos outros idem…
Mas a estratégia é justamente falar, aparecer. Ele mesmo, sem mandar recado. Cássio tem como meta, após ter o registro de sua candidatura negado, sair pela porta dos fundos desta campanha, para entrar pela porta da frente do que vier pela frente. O que ele não quer é perder seus fiéis seguidores. Alguém quer apostar que o homem, sendo impedido de se candidatar a Senador, conseguirá impor uma imagem de perseguido, injustiçado e coisa e tal? Eu não…
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