A pergunta é inevitável. A indefinição sem fim no PSDB, as idas e vindas sem sair do lugar, a interminável queda de braço de uma visível maioria com Cícero, sem que este permita-se vergar, sua proximidade com o governador José Maranhão, a ameaça da falta de legenda para Cássio, as muitas e divergentes teorias sobre os rumos do partido, enfim, a verdadeira novela do indisfarçável racha tucano, tudo leva ao questionamento: teria Cássio Cunha Lima errado ao não se filiar a outra sigla, como o PPS? Para quem, por ventura, não lembrar, no fim de setembro, o presidente do PPS no Estado, José Bernardino, chegou a dar a filiação do ex-governador como certa, sendo oferecida a este, inclusive, a presidência do partido. Ao contrário das expectativas geradas, no entanto, Cássio permaneceu no PSDB.

Passados três meses, nada mudou. Cícero não arreda pé da candidatura, o ex-governador não definiu posição, deu poucas entrevistas em que nada disse de efetivo e desmarcou outras tantas, uma atrás da outra. Tal postura deixa espaço para incertezas e especulações das mais variadas. Alguns há que acreditam que Cássio ainda não se encontrou dentro da função de liderar o movimento oposicionista, como se esperava que ocorreria. Quando partiu para os Estados Unidos, em meio ao turbilhão de sua cassação, ficou entendido que, quando retornasse, assumiria a presidência tucana e dirigiria o processo de aglutinação das oposições contra o inimigo comum: José Maranhão.

Voltou, teve a oferta de presidência retirada por Cícero e, desde então, iniciou-se a novela, em razão da qual o desgaste é inevitável. Os eleitores e/ou os admiradores do ex-governador esperam dele a mesma firmeza de discurso que se observou desde sua primeira eleição, ainda bastante jovem, e a inerente força de sua liderança. Os aliados, por sua vez, perderam a paciência e resolveram definir seus próprios caminhos. Os adversários, sempre atentos, aproveitam para alfinetar, enumerar críticas e desqualificar seu papel na presente conjuntura política do Estado.

Acontece que quem chega ao patamar atingido pelo ex-governador Cássio Cunha Lima perde o direito inato a todo ser humano de alongar-se na incerteza. Não há espaço para um demorado “ser ou não ser”. É preciso responder aos eleitores, aos aliados, aos correligionários e, tenhamos certeza, mesmo aos adversários. Isso vale para Cássio, para Cícero, para Maranhão, para Veneziano, para Ricardo…

Ao permanecer no PSDB, Cássio errou? Talvez seja cedo para apresentarmos uma resposta segura. É assim, incertezas geram incertezas. Até porque, do quadro atual entre os tucanos, fato é que tudo pode acontecer – inclusive nada, como diria o poeta. E os questionamentos também geram questionamentos. Teria se arrependido de sua decisão? Teria sido melhor migrar para o PPS? Vai convencer Cícero? Será convencido por Cícero? Sairá fragilizado deste momento? Muitas perguntas, nenhuma resposta. Coisas da incerteza, da indecisão. Faz-me lembrar, por irônico que pareça, palavras ditas esta semana em Campina Grande justamente pelo atual governador, José Maranhão, tratando de assuntos diversos, em linguagem filosófica: “A pior decisão que se toma é aquela que não se toma”.
 

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