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Cássio: desistência de Serra o deixa livre para apoio a Ricardo

O jogo político do PSDB na Paraíba continua empatado. O ex-governador paraibano Cássio Cunha Lima não desiste de apoiar Ricardo Coutinho para governador; em contrapartida, Cícero Lucena também não desiste de ser o candidato tucano ao Palácio da Redenção. Cada um tem suas razões. Cada um tem seus motivos. Cada um tem suas apostas, também.

Cícero aposta num retrospecto de amizade e fidelidade ao PSDB. Ele e Serra são amigos de longas datas e quando o governador de São Paulo foi candidato a presidente, o apoiou incondicionalmente, enquanto Cássio e sua turma, a partir de Campina Grande, lançaram os famosos comitês tucanos pró-Lula. Lembram-se deles?

Para Cássio, a aposta é outra. Não que a candidatura de Serra signifique o fim de seus planos de apoiar o prefeito da capital para o Governo do Estado. Mas que sem Serra na disputa presidencial ele ficaria livre, ficaria. Isso porque, a preço de hoje, o PSDB não tem outra liderança nacional que possa ‘topar a parada’, com a desistência de Aécio Neves (já anunciada) e de Serra (que a cada dia mais acreditada).

Esse é um dos motivos que levam Cássio a manter a posição e apostar suas fichas no apoio a Ricardo Coutinho. Mas alguém pode dizer que a desistência de Serra é difícil de ocorrer. Não é não. Eu já disse e repito: tenho muita convicção de que a ministra Dilma Roussef, até a campanha, vai crescer muito, a ponto de poder ultrapassar Serra (se ele mantiver a candidatura, é claro), podendo sair vitoriosa.

Dilma iniciou sua estratégia política com a máxima de que o importante é chegar na frente, não sair na frente. Ela não demonstrou interesse em subir rapidamente nas pesquisas, a ponto de alcançar logo Serra. Isso é notado no dia a dia da ministra e nas estratégias de marketing dos petistas. Nada que bata de frente com o tucano, para não criar a disputa direta entre os dois.

A estratégia inicial de dar corda a Serra e evitar a candidatura de Aécio deu certo. Agora é com Serra, que entende muito bem os riscos de ir para uma campanha presidencial e, novamente, não lograr êxito, podendo, muito bem, ir para uma campanha de reeleição praticamente assegurada.

Por aí vemos que se a tendência de crescimento de Dilma e a de queda de Serra, verificada nas últimas pesquisas, continuar, a desistência fatalmente virá. Ou alguém duvida? Alguém no lugar de Serra arriscaria? Se a aproximação entre os dois continuar até o prazo para a definição das candidaturas (início de abril), o tucano poderá bater asas da candidatura e tchau!

O jornalista Josias de Sousa, em seu Blog na Folha, diz que até o DEM está impaciente com a situação. Ele cita uma reunião dos Democratas em que “um a um os presentes forma expressando sua irritação com a decisão de Serra de priorizar o governo de São Paulo em detrimento da campanha”. Ele também diz que “o DEM espanta-se com o crescimento da candidata de Lula nas pesquisas”.

E completa: “avalia-se que, sem contrapontos, Dilma vai encostar no rival”. Se isto ocorrer, ficará bem mais difícil para tucanos e democratas costurar qualquer acordo em torno da candidatura de Serra. Ou de outra do tucanato.

Por essas e outras que as definições na Paraíba estão sendo empurradas com a barriga. Reuniões pra lá, reuniões pra cá, e nada. Nozinho difícil esse, não?


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