O governo do PT deve ter sido, ao longo desses quase dez anos, um martírio para o petista Luciano Cartaxo.
Não deve ter sido fácil pra ele, ao longo de todos esses anos de governo Lula e agora governo Dilma, ver o seu partido editar, como quem imprime edição de jornal, numerosas e variadas Medidas Provisórias, sem poder dar um pio sequer.
Sem poder criticar, reclamar, questionar.
Porque o Luciano Cartaxo que apresentou agora na Assembleia Legisaltiva uma proposta para acabar com as medidas provisórias na Paraíba, justificando que o governo Ricardo Coutinho, por exemplo, tem abusado das MPs, que aceleram para o Executivo a adoção de determinadas ações, quer exatamente evitar que o Legislativo seja ignorado.
É um defensor da autonomia dos poderes. E da necessidade de evitar que o Executivo concretize seus desejos mais insanos com uma simples MP.
Esse Luciano de hoje deve ter sofrido, então, ao ver o governo Lula editar 419 Medidas Provisórias por ano, ou seja, 4,3 por mês, mais do que a média de Fernando Henrique, que ficou na casa das três MPs mensais.
Deve ter sofrido também quando viu a atual presidente Dilma editar até julho deste ano cerca de 17 Medidas Provisórias, muitas sem a necessidade de urgência e relevância tão cobrada por Cartaxo no plano estadual, visto que aglumas foram colocadas de lado pelo próprio governo.
Ao propor o fim das MPs na Paraíba por considera-las um instrumento fácil de ser abusado pelo Executivo, o Cartaxo mostra que foi torturante ver o próprio governo fazer o mesmo no plano federal.
A não ser que o Cartaxo de hoje não seja o mesmo de ontem.
- Blog do Luís Tôrres








