Categorias: Política

Campina continua a não existir para Ricardo. E Cássio continua calado

Antes de dizer tudo o que me vem à cabeça, é necessário que o leitor entenda meu ponto de vista. Se estiver errado, dou meu braço a torcer. Vamos partir do princípio de que Ricardo Coutinho tenha iniciado a pré-campanha embasado numa gestão de prefeito bem avaliada em João Pessoa, mas desconhecida do resto da Paraíba. Certo? Eu mesmo falei isso aqui, um ano antes da campanha, e todos concordaram com meu ponto de vista.

Agora, passemos à outra parte. Decidida a candidatura do ‘Mago’ ao Governo do Estado, era preciso que ele tivesse força no interior. Certo? Certíssimo. E esse trabalho do interior tinha que começar por Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba e centro das discussões políticas do Estado. Certo? Certíssimo.

Pois bem. Na cabeça do Mago, claro que Campina Grande aparecia como sua principal intenção política, depois de João Pessoa. Então, coube a ele pavimentar uma aliança com a cidade. Essa aliança não poderia ser feita com um dos grupos, que apoiava o então governador José Maranhão, pretenso candidato à reeleição. E, do outro lado, estava Cássio, a quem combatera durante toda a vida.

A dúvida era: aceitar compor com José Maranhão e ganhar uma vaga de Senador na chapa, ou partir para a disputa rompendo com Maranhão, indo para o lado de Cássio e de Efraim e tentando o Governo do Estado. Todos devem tirar o chapéu para o Mago, que escolheu o caminho mais difícil. E se deu bem, não interessam os motivos de sua vitória e da derrota de Maranhão. Pelo menos neste contexto.

Pois bem. Veio a vitória e Ricardo foi eleito. E, todos devem concordar, sua vitória foi consolidada em Campina Grande, que atendeu ao apelo de Cássio e votou no Mago em peso. Mas e aí? Acabou? Sim, infelizmente. O que Campina significou para o Mago já era. Se não, vejamos, já que não sou de afirmar e não argumentar:

– Quantas vezes Ricardo Coutinho apareceu em Campina Grande ou visitou uma emissora de rádio local, para agradecer os votos obtidos na cidade?

– Porque Ricardo criou uma Secretaria de Estado do Desenvolvimento e Articulação Municipal, considerando que Campina é sede da Secretaria De Interiorização das Ações de Governo?

– Porque Ricardo recebeu um grupo de vereadores de Campina Grande menos de uma semana depois da solicitação da audiência, só um dia após eles terem ido à imprensa dizer que iriam romper politicamente, enquanto que o prefeito da cidade já pediu audiência há bem mais tempo e até agora nem resposta obteve? O critério político vale mais que a atenção que a cidade merece?

– Porque o Hospital de Emergência e Trauma continua fechado, mesmo depois de o próprio governo admitir que dispõe de gente capacitada para operar os equipamentos, tanto que os está retirando para o antigo Hospital Regional?

– Porque a Escola de Audiocomunicação de Campina Grande continua desativada, mesmo a sua desativação tendo ocorrido no mês de janeiro, já na administração de Ricardo?

– Porque aliados de Cássio, o grande responsável pela vitória de Ricardo em Campina, continuam no desprestígio, a exemplo do advogado José Araújo do Nascimento, que foi coordenador jurídico da campanha do ‘Mago’ em Campina e anunciou que quer ver o capeta na frente, mas não quer encontrar mais com Cássio, Rômulo, Romero, Ludgério e o próprio Ricardo?

– Porque o Governo do Estado suspendeu, no início do ano, todas as obras de pavimentação de estradas na zona rural de Campina Grande, iniciadas no governo José Maranhão?

– Porque o Governo do Estado suspendeu todas as obras de pavimentação de ruas na zona urbana de Campina Grande, no início do ano?

– Porque o Governo do Estado suspendeu o apoio aos eventos turístico-religiosos realizados no período de Carnaval em Campina Grande?

– Porque o Governo do Estado mandou suspender o tratamento que custeava de uma oficial do Corpo de Bombeiros de Campina Grande, vítima da truculência dos comandantes e que, hoje, praticamente vegeta em uma cama de hospital em Campina?

– Porque o Governo do Estado mandou suspender o fornecimento de medicamentos excepcionais às famílias carentes de Campina Grande que tem pacientes em tratamento, através do CEDMEX?

– Porque o Governo do Estado cortou parte do repasse financeiro feito à Universidade Estadual da Paraíba nos meses de janeiro e fevereiro?

– Porque o Governo do Estado mandou suspender a construção da Biblioteca Central da Universidade Estadual da Paraíba em Campina Grande?

– Porque o Governo do Estado estuda a transferência da sede da Universidade Estadual da Paraíba de Campina Grande para João Pessoa, como denunciou esta semana o vice-prefeito de Campina, José Luiz Júnior?

– Porque Rômulo Gouveia, de Campina Grande, eleito vice-governador, não é ouvido no governo estadual sobre tudo isso?

– E porque os outros deputados e aliados do grupo em Campina Grande também não o são?

Diante de tudo isso e muito mais, é de se perguntar: porque Cássio Cunha Lima, o grande responsável pela vitória de Ricardo em Campina, continua calado? Porque ele não comenta os temas mais – usando palavras do próprio Secretário de Comunicação Institucional do Estado, colega Nonato Bandeira – ‘palpitantes’ em relação ao governo? Porque Cássio, quando instado a emitir sua opinião sobre o Governo do Estado, ‘adoece’, como ocorreu durante o Carnaval?

Se alguém tem dúvidas em relação à relação Cássio-Ricardo, veja o que disse Nonato Bandeira, em recente entrevista à TV Arapuã de João Pessoa, a respeito do silêncio de Cássio:

“Sabemos que ele (Cássio) passa por um momento difícil (…) ele merece nesse momento a nossa solidariedade. Não existe crise, até porque nem os socialistas estão 100% satisfeitos. Isso é natural. Às vezes a gente não agrada a classe política. É natural que os políticos queiram emplacar seus aliados para mostrar prestígio”.

Ora, dizer que Cássio passa por ‘momento difícil’ e por isso não quer falar – e ainda prestar-lhe solidariedade – é relegá-lo à condição de ‘coitado e dependente’ de Ricardo. Não acham? Depois, dizer que ‘nem os socialistas estão 100% satisfeitos’ quer dizer duas coisas: primeiro que, realmente, existe insatisfação por parte de Cássio e aliados e, depois, que os socialistas merecem mais espaços no governo que o grupo de Cássio. E, para o fim da picada, dizer que ‘é natural que alguns políticos queiram emplacar seus aliados para mostrar prestígio’ é dizer que Cássio não tem mais prestígio algum e precisa de Ricardo para tê-lo.

É… Cássio… quem te viu e quem te vê…

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