O deputado federal reeleito Cabo Gilberto Silva (PL-PB) decidiu adotar um tom mais moderado ao comentar os rumos da direita brasileira e os desdobramentos da eleição, após a vitória do presidente Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro por mais de 4,4 milhões de votos, em entrevista ao programa Arapuan Verdade, na tarde desta quinta-feira (29).
Sem declarar apoio explícito à carta divulgada por Flávio Bolsonaro, o parlamentar condenou manifestações de empresários que ameaçam demitir trabalhadores por serem petistas ou de esquerda e defendeu respeito às escolhas políticas individuais.
Questionado diretamente sobre a carta de Flávio Bolsonaro, Cabo Gilberto evitou responder objetivamente se concordava com o conteúdo do documento. Em vez disso, afirmou que sua preocupação está relacionada ao cenário político e institucional do país. “O que eu concordo é que o que está a acontecer no país não é normal”, declarou.
Durante a entrevista, o deputado reconheceu que o resultado eleitoral precisa ser respeitado e afirmou que já havia manifestado essa posição anteriormente. Ele, no entanto, fez uma distinção entre reconhecer o resultado das urnas e concordar com a forma como o processo eleitoral ocorreu.
“Eu acredito no resultado das eleições, sempre acreditei desde 2022 e das eleições passadas”, disse. Na sequência, voltou a questionar procedimentos que considera irregulares e defendeu mudanças para modernizar o sistema eleitoral brasileiro.
Deputado condena ameaças de demissão contra petistas
Um dos momentos mais enfáticos da entrevista ocorreu quando Cabo Gilberto foi questionado sobre empresários que anunciaram, nas redes sociais, a intenção de demitir funcionários por terem votado no PT ou se identificarem com a esquerda.
“Mas é lógico que não! Vocês não conhecem a minha postura? A gente tem que ser moderado, a gente tem que ter equilíbrio neste momento difícil que o país enfrenta”, respondeu.
O parlamentar afirmou que, embora respeite a liberdade de cada pessoa para expressar suas posições políticas, não concorda com ameaças de demissão nem com iniciativas de boicote a empresas motivadas por divergências ideológicas.
“Eu fiz de tudo para as pessoas votarem em mim e votarem em Flávio. Tinha gente que falava: ‘Gilberto, eu voto em você, mas não vou votar em Flávio porque eu quero o Lula’. E faz parte da democracia!”, relatou.
Na avaliação do deputado, a disputa política não deve eliminar o respeito às escolhas individuais. Ele também afirmou que não concorda com boicotes empresariais, embora tenha mantido suas críticas ao PT e ao governo.
“A gente tem que esclarecer as pessoas do mal que o PT faz ao Brasil”, declarou, reafirmando sua posição de oposição ao partido.
Defende respeito às urnas, mas sustenta tese de cassação da chapa
Apesar do tom mais moderado em relação às manifestações de setores da direita, Cabo Gilberto manteve o discurso de contestação a decisões judiciais e ao cenário político brasileiro. O deputado afirmou que considera necessário respeitar o resultado eleitoral, mas sustentou que a chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin deveria ser cassada, sob o argumento de que a legislação eleitoral teria sido desrespeitada.
“Se a legislação for respeitada, não sou eu que estou a dizer, é a legislação brasileira, a chapa de Lula e Alckmin tem que ser cassada”, afirmou. Em seguida, acrescentou que não acredita que isso ocorrerá.
Direita deve reorganizar estratégia
Cabo Gilberto também afirmou que o PL deverá discutir os próximos passos da oposição em reuniões com lideranças nacionais. Segundo ele, a prioridade é organizar a atuação do partido após o resultado eleitoral e definir uma estratégia conjunta.
O deputado disse que pretende ouvir as lideranças da sigla e destacou sua responsabilidade como líder da oposição na Câmara dos Deputados. Sobre possíveis disputas eleitorais futuras, evitou antecipar decisões e afirmou que o momento ainda é de reorganização política.
PB Agora
