Não precisa fazer um estudo aprofundado ou uma vasta pesquisa para descobrir que Bolsonaro foi o candidato que mais teve tempo na TV e no Rádio. E isso é a prova de que ele, o Bolsonaro, não foi o candidato apenas das redes sociais, como está sendo classificado por muitos.

Contrária às redes sociais e resistente à internet, Dona Zefinha, Paraibana de 66 anos de idade, nunca tinha antes, na história, ouvido falar de Bolsonaro. Mas bastou iniciar o processo político, de fato e de direito, que logo ela passou a ouvir falar no “mito” Bolsonaro. Isso mesmo, sem acesso às redes sociais e internet, Dona Zefinha conheceu o Capitão pela televisão da sua sala. Graças às peças publicitárias do PT, e de outros candidatos.Igual a ela foram muitos os Brasileiros e Brasileiras que tiveram essa mesma experiência, que o diga Dona Graça, moradora da Zona Rural de Bananeiras, que revelou se arrepiar toda vez que ouvia o nome de Bolsonaro na televisão ou no rádio. Segundo sua análise; “só se falava em bolsonaro.Vixe.”Mas justo Jair Bolsonaro que tinha o menor tempo no guia eleitoral? Como assim?

Para entender como isso aconteceu, recorri a alguns programas eleitorais do Haddad (PT) no segundo turno. Assisti com atenção aos programas eleitorais do candidato PTista dos dias 22, 24 e 26 de outubro. Foram os últimos. E vamos ao que identifiquei.

No programa eleitoral do dia 22 de outubro, o nome de Bolsonaro ou a utilização de recursos linguísticos como a metonímia, que é a figura de linguagem que possibilita a troca de uma palavra por outras, ou por um termo, garantindo uma relação de sentido entre si, foi citado 8 vezes e entre vídeos e fotos, a imagem do Bolsonaro foi usada 11 vezes. Bolsonaro foi tema do programa eleitoral do Haddad por 2 minutos e 20 segundos. Ou seja, metade do programa do Haddad foi dedicada ao Bolsonaro.

No programa eleitoral do dia 24 de outubro, Bolsonaro foi citado, nas mesmas circunstâncias que no dia 22/10, 4 vezes e sua imagem, seja por fotos ou vídeos, foi usada 3 vezes. O Presidente eleito foi destaque por 2 minutos e 1 segundo no programa eleitoral do seu adversário.

E para fechar o período de propaganda eleitoral do segundo turno, o programa do Haddad do dia 26 de outubro, citou o nome ou fez referência a Bolsonaro, 11 vezes, e apresentou o candidato, por foto ou por vídeo, 12 vezes. Foram 2 minutos e cinco segundos de exibição de Bolsonaro.

Percebeu que em todos os exemplos Bolsonaro foi praticamente, destaque da metade do programa eleitoral do Haddad? Pois é. E não para por aí.

Uma matéria da Exame, em sua plataforma digital, com data de publicação do dia 11 de setembro de 2018, ainda no primeiro turno das eleições, revelou que; “Ausente, Bolsonaro foi o segundo mais citado no debate.” A matéria se referia ao debate promovido por TV Gazeta, jornal O Estado de S. Paulo, Rádio Jovem Pan e Twitter. Ainda de acordo com a matéria; “O nome de Bolsonaro foi mencionado dez vezes, apenas uma a menos do que no último debate, realizado em agosto pela RedeTV! e pela IstoÉ. No domingo, 9, só Henrique Meirelles (MDB) foi mais lembrado do que o ex-capitão”. Destacou a matéria, originária do Estadão Conteúdo.

E aqui nem precisa citar o episódio da facada sofrida pelo, então candidato, que o colocou em destaque em todas as mídias por muitos dias.

Sei o que você está questionando. Mas como Bolsonaro cresceu com essas aparições, se em sua maioria, eram negativas à sua imagem? O marketing responde.

Em seu livro intitulado; marketing 4.0, Philip Kotler, falando da defesa negativa versus defesa positiva de uma marca ou produto, destaca que; “…No contexto da conectividade, porém, uma manifestação negativa pode não ser necessariamente ruim. Na verdade, às vezes a marca precisa de expressão de uma opinião negativa para desencadear a defesa positiva de outros”.E mais adiante segue dizendo que;“…o grupo dos odiadores é um mal necessário que ativa o grupo de adoradores a defenderem a marca…”. Nesse contexto, nasceram as torcidas do #EleNão versus #EleSim (assuntos para outro momento).           

Em resumo, é a máxima de que; “de bem ou de mal, falem de mim”. O certo é que os frequentes ataquesda campanha do Haddad ao seu principal adversário permitiram que Bolsonaro se tornasse o candidato mais presente nos programas eleitorais, assim como na mídia, consequentemente mais conhecido, e mais que isso, criasse adoradores. (parafraseando Fhilip Kotler).

Verdade revelada: Jair Messias Bolsonaro (PSL) foi o candidato com mais tempo na TV e no Rádio nessas eleições.

Sobre o Autor

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Júnior Campos é especialista em assessoria em comunicação e em comunicação e marketing político. Atualmente atua como consultor e assessor de comunicação em órgãos públicos e realiza trabalhos com políticos.

 


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