Biblicamente, o trabalho é dom de Deus e não pode ser substituído por assistencialismo para quem pode trabalhar. A Lei mosaica possuía normas de proteção aos pobres, mas não de assistencialismo permanente para quem podia trabalhar. Até quando José coletou grãos no Egito para combater a fome, ele os vendeu (Gn 41:56-57), o que pressupõe trabalho e propriedade.
No Antigo e Novo Testamento, o ensino sempre foi de ajuda ao próximo, doações e solidariedade. A ética do trabalho era equilibrada pela ética da compaixão ao próximo. A regra geral é: quem pode trabalhar deve viver de seu trabalho, não de assistencialismo (2Ts 3:10-12).
Isso não implica, porém, que o Bolsa Família seja um erro. Em um mundo caído e imperfeito, o Senhor determina que os homens cuidem dos necessitados. E, devido à extensão do país e quantidade de pessoas, é necessário que haja um programa de ajuda aos mais necessitados. O problema é quando o Bolsa Família se torna um fim em si para quem pode trabalhar.
Para aqueles que podem trabalhar, o Bolsa Família deveria ser um programa “meio” para o trabalho. Contudo, quando o programa se torna um “fim” para quem pode trabalhar, cria-se uma cultura de assistencialismo que viola a ética bíblica do trabalho.
Para aqueles que podem trabalhar mas escolhem deliberadamente não trabalhar para depender do Estado, o Bolsa Família é instrumento de violação da ética bíblica. São pecaminosos os discursos que dizem: “posso trabalhar mas não vou para não perder meu bolsa família”, “vou ter filho só para ter bolsa família”, “vou votar no candidato só para ter bolsa família”.
Esses discursos violam diretamente a ética bíblica do trabalho. Não existe almoço grátis. Quando alguém pode trabalhar mas escolhe não fazê-lo para depender do assistencialismo do Estado, ela está escolhendo se aproveitar da riqueza produzida por outras pessoas sem querer contribuir com nada. Onde isso pode ser biblicamente correto?
