O primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, Beto Mansur (PRB-SP), leu há pouco a carta de renúncia do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Casa. A leitura oficializa a saída de Cunha do cargo.
Mansur disse que vai conversar com o presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA) para tentar convocar novas eleições para a próxima quarta-feira (13), dia que tradicionalmente a Casa está cheia. “A administração do Poder Legislativo está capenga e precisamos eleger com rapidez um novo presidente, mas precisamos ter uma votação com muita representatividade”, disse. A Câmara terá que convocar novas eleições para presidência da Casa no prazo de até cinco sessões plenárias – deliberativas ou de debates com o mínimo de 51 deputados presentes – para uma espécie de mandato-tampão, ou seja, para um nome que comandará a Casa até fevereiro do próximo ano quando um novo presidente será eleito.
O deputado evitou confirmar se será um dos candidatos para o mandato-tampão, mas admitiu que está “sempre à disposição”. “Só acho que tem que ser um nome de consenso. Temos 512 deputados que podem ser candidatos”.
Nos corredores da Câmara, deputados já defendem uma nova eleição o mais rápido possível.Atualmente, Waldir Maranhão (PP-MA) está no comando da Câmara, desde que Cunha foi afastado da presidência pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados
Aliado e um dos principais defensores de Cunha, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) avaliou a renúncia como “um ato grandioso”. Segundo ele, não havia previsão de o STF analisar recursos apresentados pela defesa de Cunha, o que acabaria por postergar o impasse sobre a situação do peemedebista. Para marun, a decisão foi resultado “da gestão nefasta” da Câmara.
Na avaliação de Darcísio Perondi (PMDB-RS), a renúncia “desanuvia parcialmente a tensão política”. Também do mesmo partido de Cunha, o deputado defendeu que as eleições para o novo comando ocorram nos próximos dez dias e que a Câmara não pare os trabalhos até escolher um novo nome.
Oposição
Do outro lado, adversários comemoraram a renúncia. O deputado Alessando Molon (Rede-RJ) classificou a decisão como “uma grande vitória para a população brasileira”. De acordo com ele, a renúncia não vai parar o processo de cassação contra Cunha. “Ele será derrotado na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e no plenário. Mais uma vez, ele tenta usar sua derrota em gesto generoso como manobra e com o objetivo de salvar seu mandato. Não pararemos”, disse.
Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) declarou: “Aqui se faz, aqui se paga”. Sobre a sucessão na presidência, o parlamentar alertou que a candidatura tem que obedecer os princípios da transparência, austeridade, sensibilidade para pautas de interesse do cidadão e independência. “É preciso não só derrotar Cunha, mas os métodos de se fazer política de Cunha”.
Agência Brasil
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