Ao contrário do que aconteceu em João Pessoa, a antecipação da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Campina Grande não ocorreu em clima de consenso. Tão logo o assunto foi ventilado, dentro da própria bancada de oposição ao prefeito Veneziano Vital do Rêgo surgiram divergências, quando o tucano Tovar Correia Lima, vereador noviço, demonstrou a intenção de pleitear a presidência. O assunto parecia ter sido suspenso, mas, na sessão de ontem foi apresentado requerimento pela antecipação, aprovado com o voto da maioria oposicionista. Assim, Nelson Gomes Filho (PRP) foi reeleito para a presidência, contando, ainda, com os votos de dois aliados do prefeito, Pimentel Filho (PMDB, atual 1º vice-presidente, também reeleito) e Perón Japiassu (PT).
REVOLTA DE CARVALHO
Fernando Carvalho (PMDB), líder da bancada situacionista, ainda ontem, logo depois de aprovada a antecipação da eleição da Mesa, não poupou críticas aos seus pares. “Uma vergonha para Campina Grande, uma vergonha para este Parlamento, que não consegue dizer para esta Cidade a que veio. As matérias de interesse de Campina não conseguem votar, discutir. Quando ocorrem sessões especiais e audiências públicas quase ninguém aparece, agora, para se reunir às escondidas para antecipar a eleição de uma Mesa Diretora, conseguem ter tempo para isso”, esbravejou.
NELSON INCOMPETENTE
Seguiu Carvalho: “Esta eleição só se daria em dezembro do próximo ano. Estão chamando o atual presidente de incompetente, que ele não tem condições e estão querendo golpeá-lo, ou já estão querendo dar a ele uma reeleição, quando ele ainda, em muitas atividades, não demonstrou que pode fazer mudanças essenciais e efetivas nesta Casa”.
DEM… “DEMO”
Questionado sobre sua opinião quanto à aliança entre o DEM e o PSB, para a corrida ao Governo do Estado, Fernando Carvalho – que é da bancada evangélica – saiu-se com essa: “Contra o Demo eu não respondo. Tenho pavor a Satanás”.
QUEM É O DITADOR?
Numa discussão com João Dantas (PTN), arguto vereador em exercício, Fernando Carvalho se disse surpreso com a postura daquele que, conforme o peemedebista, sendo um defensor da democracia, tendo lutado contra a ditadura, estaria agora defendendo uma ação ditatorial. Dantas, classificado pelos oponentes como “língua de chumbo” e “língua preta”, rebateu, lembrando que Carvalho já foi sargento do Exército, portanto, conforme seu entendimento, um defensor da ditadura militar.
IVONETE REBATE
Líder da bancada oposicionista, a vereadora Ivonete Ludgério (PSB) rebateu as críticas à antecipação da eleição. “Em quase todas as cidades paraibanas, e em muitas cidades do Brasil, houve essa antecipação, justamente porque o ano que vem é um ano de eleição, os compromissos políticos de quem apóia e de quem é candidato são muito grandes. Como somos maioria na Câmara, entendemos que, antecipando o que, certamente, em primeiro de janeiro de 2011 seria a mesma coisa, não houve mudança”, ponderou.
ILEGALIDADE
Vereadores críticos ao processo ameaçam recorrer à Justiça, alegando que o atual presidente não poderia ter emitido voto para aprovação da antecipação. Ivonete Ludgério, entretanto, desconsiderou. “Isso aí, qualquer advogado de porta de cadeia que ler o Regimento da Câmara vai saber que, em casos como este de hoje, que exige a maioria absoluta ou de dois terços, Nelson pode votar”, garante.
AOS FATOS
A Câmara de Vereadores de Campina Grande, nos últimos tempos, tem sido pródiga na criação de polêmicas e discussões de pouca relevância para a sociedade. São briguinhas internas, acusações e elevada quantidade de proposituras e projetos de importância duvidosa. E, mesmo em tais ocasiões, o nível do debate, a retórica e os argumentos mostram-se limitadíssimos, em desfavor da memória do brilhante patrono da Casa, Félix Araújo, e de tantos outros que dignificaram aquela tribuna. Há exceções, sim, mas são poucas e, pelo menos por ora, não as trataremos nominalmente para não constranger os sentimentos.
Quanto à antecipação da eleição da Mesa, se há nisso um erro, este encontra-se nas normas vigentes, que o permitem. É compreensível a posição do líder situacionista, Fernando Carvalho, todavia, é necessário ressaltarmos que um dos seus liderados, Pimentel Filho, participou do processo, sendo reeleito primeiro vice-presidente, e um outro, Perón Japiassu, votou junto com a oposição. Isso faz com que as duras críticas de Carvalho, naturalmente dirigidas aos adversários, acabem caindo também sobre sua bancada.







