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Aumento da violência traz JN no Ar à Paraíba

Os dados divulgados pela Associação Brasileira de Consultores Profissionais – ABRACP referentes ao aumento da violência na Paraíba no mês de janeiro deste ano, em relação a janeiro do ano passado, serviram de pauta para nada mais nada menos que a Rede Globo de Televisão. Eis que, pela segunda vez, a nossa Paraíba recebeu a visita da caravana do JN no Ar. E, desta vez, atraída justamente pelo clima de instabilidade vivido atualmente no Estado.

O que o Jornal Nacional quis saber vindo ao nosso estado é como se justificar um aumento tão expressivo nos índices de violência em um dos estados da federação, como o que é verificado agora, na Paraíba. Para que os leitores rememorem, eis o que divulgou a ABRACP sobre a onda de violência que assola os paraibanos neste início de ano, em relação ao mesmo período de 2010:

Dez bancos assaltados em janeiro com uso de bombas, o que gerou um aumento de 280% em relação ao mesmo mês do ano passado; 19 roubos do tipo “saidinha de banco”, um aumento de 78% em relação a janeiro de 2010; 66 assassinatos, com aumento de 48% em relação ao mesmo período; 380 roubos e furtos, num aumento de 192%; 14 sequestros-relâmpago (88% a mais que em janeiro passado) e 65 assaltos às agências dos Correios e a outros estabelecimentos, 120% a mais que no ano anterior.

O JN no Ar constatou que, no Nordeste, só em 2011, já foram assaltadas 27 agências bancárias com uso de explosivos, das quais, 13 só na Paraíba (mais 2 no Maranhão, 1 no Piauí, 3 no Rio Grande do Norte, 2 em Alagoas e 6 em Pernambuco). Aqui na Paraíba, o jornalista André Luiz encontrou “delegacias fechadas com policias escondidos” no interior do estado.

A presença do JN no Ar na Paraíba acaba por desfazer todo o discurso governista de que o caos na Segurança Pública do Estado é “fruto da politicagem de uma oposição odienta que não tolera a mudança que a maioria dos paraibanos aprova”, como disse um deputado governista em uma emissora de rádio da capital, esta semana. A não ser que, agora, este deputado queira dar à oposição da Paraíba um poder que ela não tem, de escalar a Rede Globo para cobrir o que os governistas consideram ‘politicagem’.

As mudanças drásticas adotadas pelo novo governo, em todos os setores da administração, aliadas à decisão de não pagar o aumento aos policiais, aprovado no final do governo passado, talvez sejam os motivos mais aparentes deste aumento considerável nos índices de violência por aqui, em detrimento de outros estados nordestinos. Pelo menos é isso o que fica mais evidente, a ‘olho nu’.

Não que haja uma espécie de ‘corpo mole’ por parte de policiais, que estariam insatisfeitos com os rumos que a relação com o governo tem tomado, desde o início da gestão, deixando a bandidagem agir livremente. Não. Mas é que, do lado oposto, a bandidagem entende desta forma, e passa a atuar com mais confiança e determinação, achando que tem ‘terreno fértil’ para agir sem ser incomodada. Fenômeno mais que natural e que acarreta tudo isto que estamos vendo aí nos noticiários.

De qualquer forma, há a necessidade de, urgentemente, esquecermos de vez essa coisa de que tudo é discurso politiqueiro e encarar os problemas de frente. Não adianta, por exemplo, dizer que a insegurança nos estádios, ilustrada na imagem de um policial que sacou um revólver e deu um tiro para cima no meio de uma torcida organizada é um ato de “terrorismo contra o meu governo”. Isso não ajuda em nada.

Enquanto os entes políticos discutem, se acusam e buscam ‘chifre em cabeça de cavalo’, como dizem os mais antigos, pessoas estão morrendo nas ruas, sendo assaltadas dentro de suas casas, bancos estão sendo explodidos como se estivéssemos em época junina. Que tal o governador mudar o discurso e agir, mesmo que de forma calada? Poderia começar aceitando sentar com os policiais e buscar uma saída para o impasse do aumento salarial. Garanto que se o cenário mudar os elogios virão, como talvez ele queira.

Pouca fala e mais ação. É isso o que a Paraíba pede.


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