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Após campanha turbulenta, Crivella é eleito no 2º turno no Rio

 Em sua terceira tentativa, o senador e bispo neopentecostal licenciado Marcelo Crivella foi eleito prefeito do Rio de Janeiro no segundo turno da eleição, neste domingo (30). A vitória do religioso, sobre o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), é também a primeira do PRB (Partido Republicano do Brasil) em uma capital.

 

Marcelo Bezerra Crivella, 59, vai substituir, no dia 1º de janeiro do ano que vem, o atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB), que está à frente do Executivo municipal desde 2009. Nas últimas eleições municipais, o peemedebista foi apoiado pelo senador.

 

No local escolhido para a comemoração do candidato, o Bangu Atlético Clube, na zona oeste do Rio, o resultado foi recebido aos gritos: “O Rio tem jeito, Crivella é prefeito”, entoavam os apoiadores, antes mesmo da chegada de Crivella. Entre os aliados que estão no local estão o suplente de Crivella no Senado, o presidente interino do PRB nacional, Eduardo Lopes, e o presidente da Câmara dos Vereadores do Rio, Jorge Felippe (PMDB).

 

Ao som da música “Chegou nossa hora”, utilizada na campanha é cantada por Crivella, alguns apoiadores do candidato choraram após a confirmação de sua eleição.

 

Campanha turbulenta

À frente da coligação “Por um Rio mais humano” (PRB/PTN/PR), com o quinto tempo de propaganda eleitoral na televisão –um minuto e 11 segundos– no primeiro turno Crivella ocupou a liderança isolada nas pesquisas de intenção de voto durante toda a campanha.

 

No segundo turno, chegou a abrir 26 pontos percentuais sobre Freixo, segundo pesquisa do Ibope. Seu índice de rejeição caiu 11 pontos entre dois levantamentos do mesmo instituto, de 35% para 24%, na primeira fase da campanha.

Com a divulgação de posições e fatos do seu passado como pastor da Universal, como trechos de um livro em que classificou homossexuais como um “mal terrível” e fez críticas a outras religiões ou o episódio em que foi fichado pela polícia por suposta invasão de domicílio, em 1990, sua imagem foi arranhada e ele partiu para o ataque contra o candidato do PSOL e a imprensa.

 

Sua vantagem sobre Freixo chegou a cair dez pontos percentuais em um levantamento Datafolha. Na última semana de campanha, dizendo-se perseguido por veículos do “Grupo Globo” e pela revista “Veja”, ele faltou a entrevistas previamente marcadas e passou dois dias em Brasília, cumprindo agenda no Senado.

 

Com ausência de Crivella em entrevista no “RJTV”, da TV Globo, na terça-feira (25), a apresentadora Ana Luiza Guimarães exibiu uma poltrona vazia
Alvo de acusações de que, caso eleito, iria misturar interesses religiosos e políticos, nos últimos meses, Crivella tentou se aproximar de representantes de outras crenças e chegou a se envolver em polêmica com o cardeal dom Orani Tempesta, da Igreja Católica, por distribuir, sem autorização do religioso, panfletos estampando a foto de um encontro entre os dois.

 

A biografia disponível em seu site de campanha, por exemplo, omite a informação de que ele é evangélico, mas diz, na primeira linha, que ele é “filho de pais católicos”. Chamado de “bispo” em debates no primeiro turno, defendeu-se de acusações de que a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) iria controlar o seu governo.

 

“É impressionante como eles inventam essa conversa, esses boatos. É verdade que eu fui bispo, e tenho muito orgulho disso, mas fui também motorista de praça, fui professor, sou engenheiro, senador e fui ministro da Pesca”, afirmou, no último debate antes do primeiro turno.

 

No segundo turno, o candidato do PRB atraiu o apoio de três dos adversários no primeiro turno: o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC-RJ), que teve 14% dos votos válidos e foi o quarto colocado; o deputado federal Indio da Costa (PSD-RJ), quinto na disputa, com 8,99%; e o deputado estadual Carlos Roberto Osorio (PSDB-RJ), o sexto, com 8,62%.

 

Alvo de muitas críticas de Crivella ao longo da campanha, o PMDB não endossou o senador e nem seu adversário. Apesar disso, nomes importantes da legenda como o presidente da Câmara Municipal do Rio, Jorge Felippe, e a vereadora Rosa Fernandes, a quarta mais votada nesta eleição, declaram apoio ao candidato do PRB. Isso sem contar com a aliança com o senador Romário (PSB-RJ), eleito há pouco mais de dois anos com aproximadamente 4,7 milhões de votos no Estado, recorde histórico.

 

Uol

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