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Análise: o não calar de RC e o Calvário que tanto perturba

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Os embates são muitos e, embora tortuosos, necessários para o livre trânsito de uma democracia, principalmente a nossa, leia-se Brasil e, mais especificamente, a Paraíba. Não buscando, aqui, defender ou acusar o ex-governador Ricardo Coutinho, que hoje é atacado de forma veemente pelos seus adversários, imputando-lhe culpas das mais diversas possíveis, em especial, às problemáticas administrativas registradas na Operação Calvário. O Mago consegue fôlego para responder à artilharia que lhe foi imposta.

 

Em entrevista ao programa Tambaú Debate, o que se viu nas perguntas e respostas foi um Ricardo Coutinho compacto e seguro de si. Não tergiversou, sempre buscando um caminho retilíneo e uniforme. Ele mesmo reconheceu que, ao longo da sua gestão “colecionou” adversários fervorosos e inimigos implacáveis.    

 

O seu jeito sisudo, até grosseiro, no entanto, não o impediu de formatar uma boa gestão, e isso é fato, queira o leitor concordar ou não, pois, caso tivesse mediocridade no seu governo, jamais elegeria o atual governador João Azevêdo. E nessa construção lógica, livre das paixões, digo que não tenho uma relação de amor inconteste  para com  Ricardo Coutinho, confidenciando que, por um certo tempo, até cultivei no meu quintal boa dose de mágoas, mágoas essas regadas à base da intolerância .

Porém, em reflexões mais profundas, deixando o lado passional da minha escrita guardada na “Caixa de Pandora”, observo a figura do ex-governador ser dissecada, muitas vezes, por antigos aliados. E ele, de forma surpreendente, não recua ante aos ataques. Ele oferece mérito ao Ministério Público, diz claramente que seus ex-secretários Livânia Farias, Waldson de Souza e Gilberto Carneiro, todos citados na Calvário, gozam do seu apreço, embora que no gólgota  as crucificações já foram iniciadas.

 

Todos sabem  que Livânia Farias foi presa e fez acordo de delação premiada em troca de uma liberdade provisória até o “dia do juízo final" que mostrará, ou não, a culpabilidade de Ricardo Coutinho no escândalo da Calvário. Apenas para o leitor refrescar os neurônios e a sinapse não falhar ao concatenar as idéias e tomar uma decisão sobre o caso, explico de maneira resumida o imbróglio.

 

A Operação Calvário investiga núcleos de uma organização criminosa comandada por Daniel Gomes da Silva, que é acusado por desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, através de contratos firmados junto a unidades de saúde da Paraíba, com valores chegando a R$ 1,1 bilhão, possuindo atuação em outros estados, como o Rio de Janeiro.

 

Dito isso, e já pondo um ponto no texto, a fim dele não ficar enfadonho, Ricardo Coutinho mostra resignação, entende que dias piores virão, mantém apreço por seus três auxiliares, não os abandonando quando muitos já saltaram da embarcação antes mesmo dos ratos, e afirma, de maneira incisiva, que nada pesa contra sua pessoa e não sabe a extensão da delação de Livânia Farias. E encerra a entrevista informando que muito do que já foi dito é falso. Por fim, culpado ou inocente, o ex-governador, ao quebrar o silêncio de forma  prolongada, expõe, desnudo, sua marca.

 

Marca que poderia ser posta na letra de Raul Seixas, em “Ouro de Tolo”. “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes esperando a morte chegar”. Não é o estilo do ex-governador. Agora é aguardar o desenrolar de toda a Calvário e observar quem, realmente, enfrentará os centuriões romanos na “via crucis” que certamente virá para alguns, ou muitos.

 

Eliabe Castor

PB Agora

 

 

 

 


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