Por pbagora.com.br

O ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, protagonizou, nesta sexta-feira (24), a mais vexatória e preocupante situação política já vivida pelo (des)governo do “mito” Jair Messias Bolsonaro.

Em meio a uma entrevista coletiva para a imprensa, o homem que, calculadamente, mandou Luiz Inácio Lula da Silva para a cadeia, pavimentando a meteórica chegada de Bolsonaro ao Palácio do Planalto, pediu demissão do cargo, com o qual foi compensado pelas facilidades proporcionadas ao presidente.

E mais, numa delação voluntária, Moro deixou o governo em tremenda sinuca de bico: revelou que o presidente da República cometeu crime de responsabilidade de magnitude tal que, agora sim, parece inevitável botar pra frente mais um pedido de impeachment – o 24º a se acumular nas gavetas do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia. Este com uma diferença: dado o seu teor de impacto no cenário nacional e sobre a opinião pública do Brasil, dificilmente não seria o gatilho acionado para defenestrar Bolsonaro da Presidência da República.

Segundo o ex-ministro da Justiça, o presidente da República queria porque queria promover trocas de superintendentes da Polícia Federal em várias regiões do Brasil, substituindo-os por gente da sua mais absoluta confiança, próxima dele, a ponto de puder contatá-las diretamente a qualquer hora e exigir relatórios sobre as investigações que fossem do seu interesse ou lhe oferecesse preocupações…

Dois coelhos
Desde as primeiras horas desta sexta-feira, de Norte a Sul do Brasil, já havia uma quase certeza de que o ex-juiz da Lava Jato iria jogar m… no ventilador. Menos, é claro, aquele conhecido bloco frenético de fanáticos pelas ideias e atitudes truculentas do “mito”, que o Brasil apelidou de gado.

Pois bem, Sérgio Moro além de pedir demissão do Ministério da Justiça, ainda aproveitou a oportunidade para, subliminarmente, lançar-se pré-candidato à sucessão de Jair Messias Bolsonaro. Foi quando afirmou, alto e bom som, que continuará à disposição e a serviço do Brasil sempre que chamado.

No fogo
Na verdade, há muito tempo Jair Bolsonaro vinha fritando Sérgio Moro. O “mito” não suporta ter por perto alguém que lhe faça a mais tênue das sombras. E, como já é notório, qualquer auxiliar com o mínimo de bom senso, inteligência, de ação e de noção de administrar a coisa pública, inevitavelmente, se torna um enorme eclipse para a imagem do Messias.

Dois ou três meses depois de tomar posse, Bolsonaro já deu o primeiro chega pra lá em Moro, ao desautorizar a nomeação de um indicado do então ministro para um conselho consultivo do Ministério da Justiça; impôs a troca de nomes da simpatia de Moro na Polícia Federal no Rio de Janeiro; autorizou a saída do Coaf do Ministério da Justiça, etc.

Racha
Moro não só pediu demissão e empurrou o Governo Bolsonaro para o abismo. Além de se insinuar pré-candidato à Presidência da República, levará consigo documentos (e quem sabe áudios) capazes de comprometer as estruturas do governo, além de uma fatia generosa de apoiadores no Congresso Nacional, inclusive nas bancadas da bala, da bíblia e do boi.

Um das primeiras a se manifestarem pró Moro foi a deputada federal pelo ex-partido de Bolsonaro, o PSL, deputada Joice Hasselmann, que, inclusive, partiu pra cima de um dos filhos do presidente, chamando-o de moleque.

Os contras
Com a atitude de hoje, o ex-ministro Sérgio Moro, que nos últimos meses andou pra lá de apagado, também amealha para si alguns pontos negativos. Primeiro, perde uma grande vitrine, na medida em que se desfaz do status de um dos ministérios mais importante em qualquer governo. Abdica de executar e comandar uma fabulosa estrutura que é responsável por tocar uma política pública nacional de segurança.

Pra onde vai?
Na justificativa pública de Moro para deixar o cargo de ministro da Justiça, ele, indiretamente, revelou o que pra grande parte da população brasileira não seria novidade: alguns procedimentos do atual governo evidenciam que as práticas e as políticas de que Jair Bolsonaro e filhos prometiam acabar, continuam as mesmas.

Desde que se declarou exonerado, Sérgio Moro tem sido questionado sobre o que fará e qual será o seu futuro, estando agora ele sem Ministério e sem a carreira de magistrado federal, de 22 anos, que trocou pelo convite de Bolsonaro para compor a sua equipe, e, possivelmente, ser indicado ministro da mais alta Corte de Justiça do Brasil.

 

Wellington Farias
PB Agora

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