“Em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã”. O pensamento não é meu. Partiu da brilhante mente de Nicolau Maquiavel, historiador e escritor italiano do Renascimento, cuja sua obra prima, intitulada “O Príncipe”, deu-lhe notoriedade, sendo ele considerado o pai da ciência política moderna. E o que esse senhor renascentista tem a ver com as eleições municipais do próximo ano, em especial aquela que indicará o prefeito de João Pessoa? Pergunto e explico numa fração de segundo: tudo!

Agora vou mais adiante, seguindo a linha de raciocínio “maquiavélico” do gênio italiano. O governador João Azevêdo (PSB) necessita acalmar aqueles que estão ao seu redor, em especial sua base na Assembleia Legislativa, a fim do “fogo amigo” não ultrapassar sua blindagem, pondo-o como figura frágil no teatro da guerra política.

Sabe-se que o chefe do Executivo paraibano tem enfrentado “certas” turbulências, havendo desconforto e opiniões divergentes em relação aos deputados estaduais que figuram o chamado G11, grupo ligado ao Palácio da Redenção, mas que adotou um discurso independente. Muitos deles têm apontado descompasso na valsa regida por Azevêdo, dificultando, na visão desses parlamentares, um verdadeiro alinhamento no que eles solicitam e o que é posto na mesa de negociação pelo governador.

Além do G11, há a problemática criada por alguns membros do próprio partido socialista em relação à manutenção do secretário de governo, Edvaldo Rosas, na condução estadual do PSB. É certo que João Azevêdo dispõe de um bom secretariado, além dos esforços do seu líder na Assembleia Legislativa, Ricardo Barbosa (PSB), para intermediar o diálogo com os insatisfeitos. Mas isso não vem atingindo a resolutividade esperada. E no meio desse turbilhão, ou bem próximo dele, está o pleito municipal de 2020.

Para completar esse cenário beligerante, ou quase, o governador tem em sua pauta diária as questões administrativas do Estado, o que demanda tempo e trabalho. Em resumo, uma parte daqueles que figuram como aliados de Azevêdo vêm criando problemas que, não sanados até o final deste semestre, propiciarão ao governador dissabores e uma real ameaça para seu futuro postulante à prefeitura de João Pessoa. Quando falo “ameaça”, lê-se revés na disputa eleitoral do ano que vem.

Na política não há espaço para a “fênix”. E numa eleição para escolher o futuro prefeito da Capital, erros são imperdoáveis, pois as urnas eleitorais aceitam votos, não cinzas e discórdias. É preciso definir quem, realmente, está no campo governista, afinal “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo”. Isso é física.

Eliabe Castor
PB Agora

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