A indefinição de um líder no que diz respeito a uma eventual postulação está ligada, umbilicalmente, a sua base eleitoral. É certo que na seara política não se deve lançar um nome com longa antecipação visando um pleito. O “brincar” do faz de conta é perigoso, e tal certeza figura como texto base nas cartilhas pautadas pelas escaramuças partidárias.

A ordem vigente é não “queimar” potenciais nomes na “largada”. Todos saem juntos, e no decorrer do percurso, é escolhido o “atleta” mais rápido e com reais chances de subir ao pódium no lugar mais alto.

Maquiavel já falava em tais artifícios no seu aclamado “O Príncipe”, cujos ensinamentos singram a história há mais de 500 anos. Temperança é a palavra chave nas estratégias de uma eleição. E na sua falta, o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), esqueceu da postura comedida.

Resultado: quando desistiu às vésperas do período eleitoral de 2018, rumo a uma candidatura com reais chances de ser o governador do Estado, deixou seus aliados no porto, e “fugiu” da responsabilidade, havendo graves consequências eleitorais no presente para ele, e seu grupo político.

E em 2020, observando todo o contexto político e social da Paraíba, surge o nome do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) como favorito para ocupar a “cadeira” que já foi dele; em bom português, a de prefeito da Capital.

Mas Ricardo ainda não se pronunciou. Aguarda desdobramentos externos e, claro, do seu foro íntimo. Contudo, a temperatura aumenta à medida que o ano eleitoral bate à porta, e as siglas partidárias e seus componentes entendem. Não se pode esperar a figura do líder, muitas vezes.

É preciso ação, para que os alinhavos partidários sejam costurados de forma firme e precisa. O PSB sabe disso, e a voz que ecoa, agora, parte da deputada estadual Estela Bezerra. Experiente, colocou seu nome à disposição da sigla. E mais: apontou outros no caso de buscar um eventual plano “B”.

Estela disse, em bom tom, que sua colega de Casa legislativa, Cida Ramos, o deputado licenciado Hervázio Bezerra e Gervásio Filho, que ocupa uma cadeira na Câmara Federal, estão na condição de assumir o posto caso Coutinho não seja lançado. Em tempo, todos os citados são filiados ao PSB.

Outros nomes estão na atmosfera do governista, e quando falo em governo, reside a figura do chefe do Executivo estadual, João Azevêdo, também do PSB. Na gama de aliados está o Democratas, com os nomes dos deputados federal e estadual, Efraim Filho e Felipe Leitão, respectivamente.

Ainda pode ser posto na lista o deputado estadual Wilson Filho (PTB). O PT, também aliado do PSB, não se manifestou e, muito provavelmente, não comporá a chapa majoritária na Capital. Mas tudo sobre o que foi relatado leva a uma pergunta fundamental: os já possíveis postulantes têm o mesmo fôlego eleitoral de Ricardo Coutinho? Muito provavelmente não, daí um embate de forças partidárias equivalente pode ocorrer em 2020.

E o cenário para a oposição, seguindo tal ótica, põe vigor no grupo do prefeito Luciano Cartaxo, e daqueles um pouco mais distantes da sua órbita gravitacional. Nesse vislumbre hipotético, o chefe do Executivo municipal dispõe do secretário de Desenvolvimento Social da Capital, Diego Tavares (PV), além do líder da bancada governista na Câmara de João Pessoa, Fernando Milanez Neto (PTB).

Ainda no cenário das oposições figura o deputado federal Ruy Carneiro (PSDB), seu colega de Casa legislativa estadual, Walber Virgolino (Patriotas) e o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (SD).

Agora todos esperam a definição, ou, se preferir, o futuro a ser traçado por Ricardo Coutinho, ou mesmo uma força externa a ele que seja capaz de modificar o cenário do “já ganhou”.

E havendo por um embate de nomes que se nivelam em termos de densidade eleitoral, não estando o ex-governador socialista no páreo, as eleições para prefeito de João Pessoa não têm a figura do favorito. Mesmo buscando a “bola de cristal”. Aguardemos os próximos desdobramentos.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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