A política paraibana tem memória — e a internet também. Não faz muito tempo, o ex-deputado federal Pedro Cunha Lima (ainda no PSDB) usou as redes sociais para, em versos, chamar Jhony Bezerra de “doutor falador de bosta”, após a derrota do médico na disputa pela Prefeitura de Campina Grande. A crítica veio embalada em tom de deboche, sustentando que Campina não se conquistava “criticando o passado”.
O recado era direto, público e duro.
Agora, o cenário muda. Com Jhony rompendo com o governo João Azevêdo e se aproximando do campo político que gravita em torno da pré-candidatura de Cícero Lucena ao Governo do Estado, Pedro, hoje presidente do PSD/PB, adota outro discurso: “não há veto”, “quero somar”, “não vou fechar a porta”. O que antes era verso de ataque vira prosa de acolhimento.
A mudança de tom revela menos sobre reconciliação pessoal e mais sobre pragmatismo eleitoral. Jhony sai do núcleo governista alegando falta de espaço e prestígio, leva consigo capital político em Campina Grande e se movimenta partidariamente. Para um campo oposicionista que busca musculatura para 2026, desprezar esse ativo seria um erro estratégico.
Mas a guinada expõe uma contradição inevitável: o mesmo Pedro que ridicularizou publicamente o adversário agora sinaliza que mágoas ficam no passado em nome de um “projeto maior”. A pergunta que ecoa nos bastidores é simples — o que mudou? O discurso ou a conveniência?
Na política, pontes são destruídas e reconstruídas com velocidade impressionante. O problema é que o eleitor também assiste a esse movimento. Se antes Jhony era o “falador” que desrespeitava a história de Campina, hoje pode se tornar peça importante na engrenagem de um novo arranjo estadual.
No fim das contas, a máxima prevalece: na política, não existem inimigos eternos — apenas interesses permanentes.
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