Por Eliabe Castor

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no fim da noite do último domingo (6), durante sessão de julgamento em plenário virtual, que os atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); não podem disputar a reeleição na mesma legislatura por ser ato inconstitucional.

Essa decisão acabou trazendo benefícios para o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), aliado de Maia e adversário do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). É sabido por todos que o presidente da Câmara tem fortes divergências com as políticas públicas implementadas pelo inquilino do Palácio do Planalto.

O mesmo se aplica a Aguinaldo Ribeiro, que rompeu com Arthur Lira (PP-AL) – expoente máximo do Centrã e xodó de Bolsonaro, que sonha em vê-lo no cargo que hoje Rodrigo Maia ocupa, a fim de implementar medidas neoliberais e de extrema-direita no Brasil, modificando peças sensíveis da Constituição Brasileira que vão desde a criação de novas cargas tributárias, proteção às grandes fortunas, privatizações de estatais e outras extravagâncias vindas da cabeça do “mito”.

Aguinaldo Ribeiro é considerado um moderado

E é aí que entra no palco Ribeiro. Considerado um parlamentar moderado e sensato entre os partidos de esquerda e direita que não se alinham à cartilha bolsonarista, está ele sendo cotado para a presidência da Câmara. E o mais interessante: a oposição só aceitaria Maia, mas como ele foi impedido, certamente o paraibano cairá nas graças dos que têm ojeriza a Bolsonaro.

E não é pouco os que rechaçam o candidato do Planalto. E nessa luta titânica, costuras políticas estão sendo formuladas para evitar que Arthur Lira vença o pleito. Conversas do grupo de Rodrigo Maia e Aguinaldo Ribeiro, que é líder da maioria e relator da Reforma Tributária estão sendo mantidas com partidos de esquerda.

Um inimigo comum a ser batido ou abatido

As siglas são as mais variadas, incluído agremiações partidárias da esquerda, a exemplo do PV, Rede, PSB, PDT, PCdoB, PT e PSOL. E aqui cai bem o provérbio: “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”, sugerindo que duas partes podem ou devem trabalhar em conjunto contra um oponente em comum.

Quem é Aguinaldo Ribeiro

O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) foi oficializado em abril do ano passado como líder da maioria na Câmara. O parlamentar era líder no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Em seu terceiro mandato, Ribeiro já foi ministro de Cidades no governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). O nome de Ribeiro para o cargo teve o apoio do presidente da Casa, Rodrigo Maia.

Relator da Reforma Tributária

Atualmente é relator da Reforma Tributária, travando embates diretos ao lado de Maia contra o texto original parido pelo ministro da Economia Paulo Guedes. Na sua condição, o paraibano está fazendo concessões em seus pareceres para atender partidos de centro-esquerda e esquerda que se opõem às políticas econômicas bolsonaristas, como a criação de novos impostos.

Bem articulado, circula no Congresso com facilidade, buscando uma Reforma Tributária equilibrada para o país. Há pelo menos duas décadas a matéria se arrasta no parlamento. Vale lembrar que o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Atualmente são 92 tributos vigentes, o que cria uma grande complexidade e muita burocracia. Rodrigo Maia e Aguinaldo Ribeiro vêm cobrando de Paulo Guedes celeridade para que o Executivo se empenhe na tramitação da matéria.

Mas o Planalto parece estar esperando uma hipotética vitória de Arthur Lira, a fim de o expediente ser aprovada como o Governo Federal deseja. Contudo, no meio do caminho de Bolsonaro há uma pedra, e ela tem nome e sobrenome paraibano: Aguinaldo Ribeiro.

Por Eliabe Castor

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