Por pbagora.com.br
Marcelo Camargo/Agência Brasi

Então vamos lá! Um avião de grande porte cai sobre o centro de uma imensa ou minúscula cidade. É notícia, sem dúvida alguma. Um tremor de terra nas Ilhas Marianas causa forte tsunami e mata milhares de pessoas. No dia seguinte é descoberta em Singapura uma espécie de animal que se acreditava estar extinta há milhões de anos. Todos esses fatos, sem exceções, ocupariam as manchetes de pequenos e gigantescos órgãos de imprensa. O mesmo vale para um presidente da República ou chefe de Estado que testou positivo para a Covid-19. Será resenha em todo o mundo.

E numa dessas resenhas, ou notícias, lembro o caso do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Diagnosticado com COVID-19 em abril, ele ficou três noites na UTI, após apresentar ‘sintomas persistentes’, como febre e tosse. Agora o presidente Jair Bolsonaro é diagnosticado com os mesmo sintomas. E há detalhes interessantes, além dos dois serem vítimas do novo coronavírus, ambos sempre desprezaram, minimizaram uma pandemia que já matou 538.780 seres humanos em todo o mundo e infectou 11.641.640, segundo balanço da Universidade John Hopkins (EUA). E neste artigo não vou falar das nossas crises na Economia, Educação e Saúde. Todos já sabem.

Agora vem a pergunta que não quer calar: assim como Johnson, ao menor indício de febre e fadiga, Jair Bolsonaro partiu em desabalada carreira para uma unidade de saúde, no caso o Hospital das Forças Armadas (HFA) – um dos mais qualificados do país – onde realizou o teste mais recomendado para o diagnóstico da covid-19, sendo confirmado, como já falei anteriormente, resultado positivo.

E é sempre bom lembrar que o primeiro-ministro do Reino Unido fazia gracejos sobre a letalidade da pandemia. Hoje não mais. Escapou da morte, mas colocou seu país em uma situação sanitária e econômica que até Jó está com pena. O mesmo vale para Jair Bolsonaro. Chamava a Covid-19 de “gripezinha”. Mas quem vai a um hospital de referência nacional tratar uma pequena gripe?

É sabido: o presidente tem médicos de alto nível ao seu dispor a qualquer hora. E no próprio Palácio do Planalto foi realizado um teste rápido cujo reagente foi positivo para o novo coronavírus. Então, se é (ou era) uma “gripezinha”, qual o motivo do corpo clínico não receitar apenas um analgésico para o atual inquilino do Executivo Federal?

E como se não bastasse, o líder populista, que colocava criancinhas no braço, e sem máscara, realizou uma coletiva de imprensa no início da tarde desta terça-feira (07). Em dado momento retirou o acessório de proteção do rosto e disparou para os repórteres: “É para vocês verem minha cara, eu estou tranquilo, estou bem, tudo na paz”; pondo em risco todos que estavam no ambiente. Parece que nosso presidente ainda não entendendo que o vírus não está na “cara” e sim no interior do organismo.

Interessante foi o momento seguinte. Após recolocar a máscara (não é recomendado tirá-la) do rosto em ambiente público, Bolsonaro mais uma vez caiu em contradição em seus atos a palavras. Disse o presidente: “Vou seguir o protocolo, como outros cidadãos, raramente recebendo pessoas apenas para assinar documentos

Com toda a certeza ministros e assessores devem estar preocupados, e muito. Primeiro pelo fato Bolsonaro só seguir seu próprio protocolo, e ponto final. E aí surgem mais perguntas: ele vai usar máscara? Respeitar a distância social? Haverá duas ou mais canetas na sala para a assinatura dos documentos. Uma para ele, outra para seus auxiliares diretos? O espaço do seu gabinete será desinfectado de forma segura? O próprio presidente vai passar álcool em gel na sua poltrona e nas dos seus auxiliares para não demonstrar fraqueza? São perguntas pertinentes diante do que o país vive, viu e ainda verá muitas coisas estranhas acontecerem no mandato presidencial atual.

E por último, deixo um dado alarmante: enquanto Bolsonaro era atendido em decorrência da “gripezinha”, nas últimas 24h foram registrados 620 óbitos e 20.229 casos confirmados no país, inclusive o próprio presidente está em tal estatística. Apenas com uma “leve” diferença. Recebeu todas as medidas médicas possíveis para o quadro não se agravar, enquanto milhares de pacientes agonizam em todo o Brasil, muitas vezes morrem em suas casas por não haver leitos disponíveis para o tratamento da doença na rede pública hospitalar, e até em hospitais privados.

Eliabe Castor

PB Agora

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