Quando desejo apontar que alguém é ardiloso, astuto ou pérfido, costumo dizer que o tal é maquiavélico. O adjetivo não é nada lisonjeiro, mas o responsável por ele é um dos filósofos mais importantes da história da filosofia política.

Sem precedentes, seu saber era (é) objeto de “venda” e estudo, muito apropriado nos dias atuais. Até mesmo mais “valioso” que na sua época. Perdura e perdurará por séculos, talvez milênios, na seara do entendimento político, uma visão egocêntrica e muitas vezes tirânica de Maquiavel, um renascentista do século XIV a serviço da família Médici, de Florença, Itália.

Dele é o aclamado “O Príncipe”, sendo uma das citações da obra a chocante, porém real: “Mate se preciso for, mas alcance seu objetivo!”. Pois bem, não vou falar sobre a obra. Foi apenas um preâmbulo do gesto obsceno que o presidente Jair Bolsonaro está a fazer contra a Paraíba.

Embora tenha eu sérias dúvidas que o mandatário do país tenha lido algo de proveito, posso ver nele um “Maquiavel” manco e cego. Bem longe dos grandes estadistas.

Suas práticas e ações justificam minhas palavras e meios. A última crítica reside no pífio aporte financeiro que seu governo “premiou” a Paraíba.

A equação do mal que mata

Um “arlequim” que, pela mais pura perseguição política, destinou à Paraíba o módico, para não dizer risível, valor de R$ 11,9 milhões para “ajudar” no combate à pandemia do novo coronavírus.

E o quadro se agrava

O meu (nosso e vosso) estado receberá aproximadamente R$ 11,9 milhões. Já os 223 municípios paraibanos, em total valor, receberão aproximadamente R$ 50 milhões para minimizar os estragos de todas as ordens “praticadas” pelo novo coronavírus.

A portaria, assinada pelo ministro Henrique Mandetta, autoriza R$ 4 bilhões para governos estaduais e municipais usarem no combate à Covid-19.

A cidade de João Pessoa receberá algo próximo a R$ 25 milhões. Campina Grande R$ 12,5 milhões. Agora pasme, leitor: a cidade de Várzea, no Sertão paraibano, ficará com apenas R$ 28. Algo próximo a ser pago por dois “pratos feitos” em restaurante de segunda, ou terceira categoria, quem sabe.

E numa equação simples, dividindo 223 municípios, o governador João Azevêdo, retirando vários coelhos da cartola, pondo a Rainha da Borborema e Capital fora da conta, terá muito pouco para “oxigenar” os serviços de saúde existentes na Paraíba.

Maldade ou perseguição?

O estado da Paraíba receberá do governo federal R$ 11,9 milhões (já relatei tal cifra), quase R$ 5 milhões a menos que o penúltimo da lista de repasse para o Nordeste: (Alagoas) que receberá R$ 16 milhões.

Todos os 223 municípios paraibanos, juntos terão direito apenas a pouco mais de R$ 50 milhões do “bruto” a ser repassado pela “caneta azul federal”. Retirando os dois municípios mais populosos da Paraíba, a média ficará em pouco mais de R$ 50 mil por cidade.

E aí vale um adendo: alguns receberão simbólicos reais. Um escárnio à vida humana jamais vista desde a Segunda Grande Guerra, capitaneada por um “demônio” quase humano de nome Hitler.

Quem leva, ganha ou perde?

O valor que será destinado para gestão estadual é de R$ 11,9 milhões, algo próximo a dez vezes menos que o governo da Bahia, que receberá o maior aporte da região, próximo a R$ 114 milhões.

Paraíba na “rabeira”

Confira quanto cada estado receberá: Alagoas (R$ 16 milhões), Bahia ( R$ 114 milhões), Ceará (R$ 39 milhões), Maranhão (R$ 27 milhões), Paraíba (R$ 11,9 milhões), Pernambuco (R$ 107 milhões), Piauí (R$ 19 milhões), Rio Grande do Norte (R$ 19 milhões) e Sergipe (R$ 24 milhões).

E agora? Vamos tomar boas doses de cloroquina, participar da carreata da morte ou permanecer em isolamento social, conforme recomendação da Organização Mundial de Saúde?

Vale refletir, independente se você é de direita, esquerda ou centro. O crematório não pergunta a ideologia política ou partidária do defunto.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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