O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) chegaram a um acordo nesta quarta-feira que poderá garantir a participação dos terroristas na vida política. Embora as duas partes não tenham especificado os termos aprovados em mais uma rodada de negociações em Havana, capital de Cuba, os representantes encarregados de anunciar o pacto afirmaram que se trata de um “marco para o fim do conflito”. O documento, contudo, não fornece detalhes sobre quais seriam as limitações impostas aos guerrilheiros que cometeram crimes nos últimos anos, como assassinatos e tráfico de drogas.

 

O acordo anunciado pelos mediadores de Cuba e Noruega que supervisionam as conversas foi duramente criticado por Oscar Iván Zuluaga, o principal opositor das negociações e candidato a presidente pelo partido liderado pelo ex-mandatário Álvaro Uribe. Para Zulaga, a negociação com os narcoguerrilheiros é uma farsa. Em contraste com a justa indignação de Zuluaga, os negociadores das Farc e os enviados do governo de Juan Manuel Santos demonstraram satisfação com o pacto.

Segundo os mediadores, o acordo “facilita a constituição de partidos políticos e a mudança de organizações e movimentos sociais com vocação política para partidos.”

 

As medidas acordadas serão validadas somente quando os negociadores cumprirem todos os pontos de uma agenda que conta com cinco objetivos a serem alcançados em Havana – o ponto aprovado nesta quarta-feira é apenas o segundo deles. O documento estabelece que “serão convocados em um evento nacional os líderes de partidos e movimentos políticos para integrar uma Comissão que definirá as bases do estatuto de garantias para os partidos que se declararem de oposição”. Tal estatuto forneceria condições especiais para que qualquer movimento colombiano possa se tornar um partido, o que beneficiaria as Farc.

 

As rodadas de negociações entre as Farc e o governo colombiano tiveram início no final do ano passado. Até agora, os debates têm caminhado a passos lentos, sem apontar para uma efetiva desmobilização da narcoguerrilha. Com o consenso firmado nesta quarta-feira, os representantes encerraram o décimo sexto ciclo de diálogos. Segundo os negociadores, o próximo tema a ser discutido será “a solução para o problema das drogas ilícitas”.

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