A janela partidária aberta nesta quinta-feira (5) promete provocar um verdadeiro redesenho no tabuleiro político da Paraíba, com impactos diretos tanto na bancada federal quanto na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). O período segue até 3 de abril e permite que deputados estaduais e federais troquem de partido sem risco de perda do mandato por infidelidade partidária.
Criada pela minirreforma eleitoral de 2015, a regra beneficia parlamentares eleitos pelo sistema proporcional e que estejam no fim do mandato. Em 2026, apenas deputados estaduais e federais podem utilizar o mecanismo. O prazo ainda se cruza com outra data estratégica: 4 de abril é o limite para que candidatos estejam filiados a uma legenda ao menos seis meses antes da eleição.
Na bancada paraibana em Brasília, ao menos um terço dos deputados federais deve aproveitar a janela. Duas movimentações são tratadas como praticamente certas.
O deputado Mersinho Lucena deve deixar o Progressistas (PP). A decisão ocorre em meio à movimentação da legenda na Paraíba que irá lançar o vice-governador Lucas Ribeiro ao Governo do Estado, como o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), pai de Mersinho, também deve disputar o governo, a permanência do parlamentar na sigla se tornou inviável.
Outra mudança encaminhada é a de Wellington Roberto, que deve trocar o PL pelo PSD. O parlamentar esteve reunido com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, gesto interpretado como sinal verde para a filiação.
Gervásio Maia também avalia o futuro. Atualmente no PSB, ele pode migrar para uma das legendas da federação PT–PV–PCdoB, numa estratégia para reforçar o projeto de reeleição, mas ainda não há confirmação acerca deste movimento por parte do ex-presidente estadual do PSB.
Por outro lado, há nomes que devem permanecer onde estão, como os três deputados do Republicanos: Hugo Motta, Murilo Galdino e Wilson Santiago, além de Aguinaldo Ribeiro (PP), Cabo Gilberto (PL), Luiz Couto (PT), Ruy Carneiro (Podemos) e Romero Rodrigues (Podemos). Damião Feliciano deve seguir no União Brasil, legenda que articula federação com o PP, o que pode alterar o peso político das duas siglas no estado.
Já na ALPB, o cenário é de intensa movimentação. Pelo menos oito deputados estaduais articulam troca de partido, enquanto outros mantêm conversas reservadas.
O PSDB deve ser o partido mais afetado, com a saída de Camila Toscano, Tovar Correia Lima e Manoel Ludgério.
Felipe Leitão já deixou o Republicanos e se filiou ao MDB. Hervázio Bezerra tende a sair do PSB. Também devem aproveitar a janela Junior Araújo (PSB), George Morais, que pode trocar o União Brasil pelo PL e Caio Roberto, que deve acompanhar o pai, Wellington Roberto, em eventual ida ao PSD.
Entre os indecisos estão Chió (Rede), João Gonçalves (PSB) e Dr. Romualdo (MDB), que analisam o quociente partidário e a viabilidade eleitoral antes de bater o martelo.
Já nomes como Adriano Galdino (Republicanos), Wallber Virgolino (PL), Luciano Cartaxo (PT) e Cida Ramos (PT) devem permanecer em seus atuais partidos.
Mais do que simples trocas de legenda, o período da janela partidária funciona como termômetro das alianças em construção e antecipa os movimentos que irão moldar o cenário político da Paraíba no próximo ciclo eleitoral.
PB Agora








