A política paraibana tem dessas coincidências que parecem repetir roteiros. Em 2022, a então candidata Pollyanna Dutra (PSB) foi escolhida para disputar o Senado praticamente já no ano eleitoral, na chapa liderada pelo governador João Azevêdo (PSB). Mesmo largando depois dos adversários, fez uma campanha competitiva, ganhou visibilidade e terminou a disputa com votação expressiva — embora sem conquistar a vaga.
Quatro anos depois, um movimento semelhante começa a se desenhar, agor dentro do MDB. O suplente de deputado estadual André Gadelha (MDB) surge como nome para ocupar a segunda vaga ao Senado em uma eventual chapa encabeçada pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), com o próprio Veneziano (MDB) tentando a reeleição.
No papel, a composição é forte. O MDB reuniria uma candidatura ao Governo, um senador buscando renovar o mandato e um segundo nome para ampliar o palanque na disputa pelas duas vagas ao Senado.
O problema é que o tabuleiro de 2026 promete ser bem mais congestionado. Entre os possíveis concorrentes está o governador João Azevêdo, que vai disputar o Senado ao final do mandato ao lado do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos). Fora das grandes chapas, ainda corre por fora o ex-ministro Marcelo Queiroga, do PL.
Com tantos pesos pesados na disputa e apenas duas cadeiras em jogo, a pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável: há espaço real para André Gadelha?
Assim como Pollyanna em 2022, André pode apostar na construção de uma campanha capaz de surpreender. O MDB tem estrutura, presença no interior e um eleitorado consolidado em várias regiões. Além disso, o sobrenome Gadelha carrega peso político no Sertão.
Mas também existe outra leitura possível — e bastante comum na política. Uma candidatura ao Senado, mesmo sem favoritismo, amplia visibilidade, fortalece o capital político e posiciona o candidato para projetos futuros.
Se for esse o caso, André pode até não conquistar a vaga agora, mas sairá da disputa maior do que entrou. A dúvida, portanto, permanece no ar: André Gadelha será a nova Pollyanna ou apenas um nome sendo projetado para os próximos capítulos da política paraibana?







