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A nova obsessão da oposição: a Cagepa

Há alguns meses, a Cagepa raramente ocupava o centro do debate político na Paraíba. Agora, basta acompanhar o discurso da nova oposição para perceber que a companhia passou a ser o principal alvo da pré-campanha eleitoral. O assunto domina entrevistas, discursos e coletivas. A palavra de ordem é CPI, críticas e a promessa de rever a Parceria Público-Privada (PPP) do esgotamento sanitário.

É natural que a oposição fiscalize. Esse é, inclusive, um de seus papéis mais importantes. O que chama atenção é a mudança brusca de prioridade. A impressão é que a Cagepa, que durante anos não despertava o mesmo ímpeto fiscalizador de muitos dos atuais críticos, tornou-se, de repente, o maior problema da Paraíba.

O debate sobre a PPP é legítimo. Questionar a modelagem, a concorrência do leilão e a transparência do processo faz parte do jogo democrático. Mas é igualmente necessário reconhecer os avanços obtidos pela companhia ao longo dos últimos anos.

Os indicadores mostram que João Pessoa e Campina Grande figuram entre as cidades nordestinas mais bem avaliadas em saneamento pelo Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A Cagepa também tem apresentado resultados positivos na expansão da cobertura de água e esgoto, na redução de perdas e na eficiência operacional, colocando a Paraíba entre os estados mais eficientes do Nordeste na distribuição de água.

Isso significa que a empresa é perfeita? Evidentemente não. Ainda há desafios importantes, sobretudo na ampliação do esgotamento sanitário e na universalização dos serviços em diversos municípios. Mas reduzir todo o debate sobre saneamento a um discurso de que “a Cagepa não presta” parece ignorar dados e resultados construídos ao longo dos últimos anos.

Mais curioso é observar que muitos dos que hoje tratam a companhia como símbolo de todos os problemas pouco falavam sobre ela quando integravam a base governista ou ocupavam espaços de poder. A crítica passou a ganhar intensidade justamente quando a Cagepa entrou no centro da disputa eleitoral.

A Paraíba precisa discutir saneamento, investimentos, metas, tarifas e o modelo da PPP. Precisa debater, inclusive, se a parceria firmada é ou não a melhor solução para ampliar a cobertura de esgoto. Mas esse debate será mais útil se for baseado em dados, indicadores e propostas, e não apenas na conveniência política de transformar uma empresa pública em protagonista da campanha.

No fim das contas, a população espera menos discursos inflamados e mais respostas concretas. Afinal, saneamento básico não deveria ser apenas um tema de eleição; deveria ser uma política de Estado.


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