A Paraíba o tempo todo  |

A “Mão Amiga” de Lucas

Lígia volta à vice e pode ser peça-chave na sucessão de 2030

A escolha de Lígia Feliciano para vice-governadora de Lucas Ribeiro tem um significado que vai muito além da composição eleitoral de 2026. A médica, que construiu sua trajetória política justamente ocupando a segunda posição da chapa, volta ao posto pela terceira vez — agora ao lado de um governador que conhece, talvez mais do que qualquer outro, o potencial que uma vice-governadoria pode carregar.

Lígia foi eleita vice-governadora em 2014, na chapa de Ricardo Coutinho, e reeleita em 2018, desta vez ao lado de João Azevêdo. Foram dois mandatos consecutivos no cargo, de 2015 a 2022.

Agora, em 2026, ela retorna ao mesmo lugar. E há uma curiosidade política nessa escolha: o slogan que acompanha Lígia há anos é justamente “A Mão Amiga”. Desta vez, a “Mão Amiga” foi escolhida para estar ao lado de Lucas.

Mas a história de Lígia também traz uma questão importante para o futuro.

Durante os dois mandatos como vice, ela chegou a assumir interinamente o Governo da Paraíba, mas nunca conseguiu transformar a vice-governadoria em uma candidatura efetiva ao Palácio da Redenção. Em 2022, chegou a ser estimulada a disputar o Governo pelo PDT, mas acabou desistindo e apoiando a reeleição de João Azevêdo.

O episódio mais emblemático foi justamente a sucessão de Ricardo Coutinho. Lígia estava no posto que, em determinadas circunstâncias, poderia colocá-la no centro da disputa pelo Governo, mas Ricardo decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato. A sucessão acabou ficando com João Azevêdo.

Agora, a situação apresenta uma diferença importante: Lucas é produto direto de uma sucessão semelhante.

Em 2022, Lucas era vice de João Azevêdo e assumiu o Governo em abril de 2022, quando João deixou o cargo para disputar o Senado. O que não aconteceu com Lígia nos ciclos anteriores aconteceu com Lucas: o vice efetivamente virou governador e passou a comandar o projeto político.

É justamente por isso que a escolha de Lígia ganha uma dimensão adicional.

Se Lucas vencer a reeleição em 2026, ele terá pela frente um novo mandato. E, caso decida disputar outro cargo eletivo em 2030, a legislação eleitoral poderá obrigá-lo a deixar o Governo para concorrer, abrindo novamente espaço para que o vice assuma o comando do Estado.

E aí estará Lígia.

Ou seja: a escolha feita hoje pode colocar Lígia novamente diante da mesma possibilidade que um dia esteve diante dela — assumir o Governo e, eventualmente, disputar a sucessão.

É cedo, naturalmente, para saber se a “Mão Amiga” pretende, em algum momento, estender a mão para o Palácio da Redenção ou se aceitará ser novamente uma peça de composição dentro de um projeto maior.

Essa talvez seja a principal incógnita da escolha de Lucas.

Lígia tem experiência, já ocupou a vice-governadoria por oito anos, conhece a máquina administrativa e já esteve no exercício do Governo. Não chega, portanto, como uma figura desconhecida ou apenas decorativa na chapa. Ao contrário: chega com uma trajetória que a coloca, naturalmente, no radar de qualquer discussão futura sobre sucessão.

E existe ainda outro componente: Lígia sabe o que é ser vice e esperar por uma oportunidade que não veio.

Agora, ela volta à mesma posição, mas em um cenário diferente e ao lado de um governador que é, ele próprio, resultado de uma sucessão.

Lucas, ao escolher Lígia, não está apenas escolhendo uma companheira de chapa para 2026. Está também escolhendo alguém que poderá ter papel relevante no projeto político até 2030 — inclusive se, no futuro, o próprio governador precisar passar o bastão.

No xadrez da política paraibana, Lucas acaba de movimentar uma peça importante. A “Mão Amiga” foi colocada no tabuleiro — resta saber se ela será apenas a mão que ajudará a conduzir o jogo ou se, mais adiante, será chamada a fazer o movimento mais importante: ocupar o centro do tabuleiro. Afinal, como ensinou o filósofo Heráclito, “a única constante é a mudança”.

E, na política, até a peça que hoje está ao lado do rei pode ser a próxima a comandar o jogo.


    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.



      Total
      0
      Compartilhe
      PUBLICIDADE