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A dívida com Beijinha

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José Maranhão (PMDB) carrega consigo uma sensação de dívida com o sobrinho, o odontólogo Benjamin Maranhão. Ex-deputado federal, “Beijinha” – como é mais conhecido no seio da família – foi catapultado pelo próprio tio e atual governador do alto de uma carreira pública que parecia promissora a um jovem com jeitão de herdeiro político do clã.

Benjamin Maranhão teve o nome listado no rumoroso escândalo dos “Sanguessugas” do Congresso Nacional. Ele e quase um terço da Casa, na verdade, e uma outra banda podre do Senado Federal. Isto ocorreu em plena campanha eleitoral de 2006. Foi constrangedor, mas o fato é que o processo de divulgação das informações ingressou também numa área de denuncismo inquietante.

E este foi o grande erro de Maranhão em relação ao próprio sobrinho. Preferiu oferecer a cabeça de Beijinha numa bandeja, da mesma forma como fez com o companheiro de chapa Ney Suassuna, senador tentando reeleição. Deu a ambos um tratamento estratégico de campanha muito pragmático – livrar-se do que representa problemas -, mas abriu um grande fosso familiar até hoje intransponível, apesar das aparências.

Outra postura

Adversário direto de Maranhão, o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) assumiu uma postura diametralmente diferente do atual governador à época. O hoje senador Cícero Lucena também era alvo de um bombardeio cruel do Sistema Correio por conta da Operação Confraria. Cássio chamou Cícero para a conversa e bateu o martelo: “Estamos juntos nessa, acredito na sua inocência e vamos como parceiros para o tudo ou nada”.

Assumiram os riscos e venceram a parada. A opinião pública viu no gesto de Cássio uma postura de lealdade, da mesma forma como interpretou na de Maranhão um quê de falta de solidariedade e oportunismo.

Hoje, percebe-se, boa parte dos envolvidos no escândalo conseguiu reeleição ou simplesmente sobreviver em outras searas da vida pública, sem precisar sacrificar a própria carreira. Muitas das acusações mostraram-se, inclusive, improcedentes. Benjamin foi rifado pela covardia de um tio com sede de poder e que, desde então, vem imaginando uma forma de compensar a falta com o sobrinho.

Consciência

Uma grande oportunidade que Maranhão agora vislumbra é indicar Benjamim Maranhão para o Tribunal de Contas do Estado, em vaga a ser aberta nos próximos meses. Nos bastidores, ele trabalha essa possibilidade e acredita que, com isso, pelo menos vai tirar um peso da consciência e dar um gesto de boa vontade até hoje não totalmente digerido pela primeira-irmã, Wilma Maranhão, mãe de Benjamin.

Inteligente, discreto e com uma personalidade que impõe respeito dentro da própria família, Benjamin Maranhão reuniria, na avaliação do tio, as condições básicas para ser um forte candidato ao cargo vitalício de conselheiro. Resta saber se as circunstâncias vão contribuir com os planos de desencargo de consciência do governador.

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