A revista "Veja" desta semana publica reportagem de capa sobre um esquema de espionagem que teria sido montado pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que presidiu a Operação Satiagraha. Ele teria investigado ilegalmente a vida de autoridades.

A Polícia Federal está investigando o delegado Protógenes Queiroz desde agosto do ano passado, quando surgiram as denúncias de grampos telefônicos ilegais durante a operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas.

A revista "Veja" afirma que teve acesso a informações retiradas do computador pessoal de Protógenes, apreendido pela Polícia Federal no apartamento dele, no Rio de Janeiro. No computador havia quase mil grampos que, segundo a revista, foram feitos com a ajuda de funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Seriam documentos sobre a vida de autoridades brasileiras, um material clandestino e produto de espionagem.

Ao todo, são 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos de texto. Segundo a revista, o delegado guardou os relatórios, que poderiam ser usados para constranger e intimidar.

A lista de Protógenes inclui, segundo a revista "Veja", o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o ministro de assuntos estratégicos, Mangabeira Unger, os senadores do DEM Heráclito Fortes (PI) e Antonio Carlos Magalhães Júnior (BA), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP).

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STF arquiva ação que pedia devolução de verba gasta pela Abin na Satiagraha Satiagraha: arquivos indicam grampos a parlamentares Relator da CPI dos Grampos livra Dantas, Protógenes e Abin de indiciamento FHC: Protógenes é ‘escutador geral da República’
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Serra reagiu com indignação à possibilidade de grampo ilegal. “Se aconteceu, é clandestina e bandida. O importante é investigar e o governo federal responder por isso, caso isso seja verdadeiro”.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a espionagem no Brasil passou de todos os limites. “Isso é um escândalo. Acho que o governo tem que agir com rapidez porque ou isso obedece algum plano, no que eu não acredito, ou, então, é uma falta de autoridade que tem de ser revista imediatamente”.

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), convocou o presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ). Ele quer um relatório sobre as investigações da comissão, que pode ter os trabalhos prorrogados.

A Polícia Federal disse que não vai comentar o assunto porque a investigação corre em segredo de Justiça.

O presidente do STF está em viagem para o Egito. O chefe de gabinete de Lula e a ministra Dilma Rousseff não quiseram comentar a reportagem.

O senador Heráclito Fortes disse que não viu nenhum fato novo na reportagem e espera que a justiça puna o abuso de poder de forma exemplar.

De acordo com a assessoria, o ex-ministro José Direceu está viajando para Porto Alegre e está incomunicável. O ministro Mangabeira Unger e o senador ACM Júnior não foram encontrados.

G1

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