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Polícia Federal assume investigações de assassinado do advogado Manoel Mattos

Após reunião realizada no Palácio da Redenção na manhã desta segunda-feira (02), entre o governador do estado Cássio Cunha Lima, representantes da Câmara Municipal e Assembléia Legislativa do estado de Pernambuco e Movimento Nacional de Direitos Humanos, ficou definido a Polícia Federal assumirá as investigações sobre o assassinato do advogado Manoel Mattos, ocorrido no último dia (24), no município de Pitimbú, na Paraíba.

Segundo Cássio, a Polícia Federal contará com o apoio dos ministérios públicos dos estados da Paraíba e Pernambuco, que também estarão empenhados na apuração e conclusão do inquérito.

O secretário de segurança do estado, Eitel Santiago, que também participou da reunião no palácio, esclareceu que crimes que têm por vítima militantes de direitos humanos podem ter competência deslocada.

“Falta apenas a solicitação para que o Tribunal Superior de Justiça (STJ) oficialize o deslocamento de competência”, disse Eitel.

O representante do Movimento Nacional dos Direitos humanos, Marcelo Santa Cruz, lembrou que além das investigações do crime, o julgamento do caso será efetuado pela justiça federal.

O CRIME
Manoel Mattos foi executado a tiros de espingarda calibre doze na noite do último sábado (24), no interior de uma residência localizada no município de pitimbu. Advogado e ex-vereador de Itambé, Manoel Matos Neto era uma das principais testemunhas da CPI do Extermínio e Pistolagem nos estados da Paraíba e Pernambuco.

Desde 2000 MANOEL MATOS NETO sofria várias ameaças de morte após denunciar a ação de grupos de extermínio na região.

Os fatos foram levados ao conhecimento do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), do Ministério da Justiça, em março de 2001. Em 05 de novembro de 2001, Matos sofreu um atentado, em que um veículo Corsa, sem placas, tenta sem sucesso empurrar o carro do vereador para fora da estrada.

Matos era um dos poucos que ousava a comentar a situação da cidade, dominada por grupos de extermínio que matam menores de rua, marginais e trabalhadores que fazem reclamações trabalhistas na Justiça.

O ex-vereador, já havia sofrido diversas ameaças de morte, e por diversas vezes havia pedido garantias de vida a Polícia Federal. Segundo ele, a omissão do Estado, nos últimos dois anos, vinha provocando uma escalada da violência na região e hoje a segurança da cidade estava sendo feita pela Polícia Militar da Paraíba e por justiceiros.

Já estão presos o sargento da Polícia Militar da Paraíba, Flávio Pereira, e um homem apontado como dono da arma usada no crime.

Thiago Moraes

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