Categorias: Policial

Mizael diz que prefere morrer do que a prisão

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 Acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010, o advogado Mizael Bispo de Souza prestou depoimento nesta quarta-feira (13) diante dos sete jurados que nesta quinta-feira vão decidir seu destino. Em tom de desabafo, ele recorreu a Deus diversas vezes, jurou pela vida da filha, responsabilizou o delegado do caso por seu indiciamento e disse que preferia a morte à prisão.

“Não, excelência.” Foi respondendo sobre a culpa atribuída a ele que Mizael deu início a seu depoimento. Poucos minutos depois, e ele voltava a se defender, agora com mais clareza: “ Eu não tenho coragem de tirar a vida de ser humano nenhum . Quem tem esse direito é quem nos deu.”

Mizael começou a responder aos questionamentos falando alto, dizendo que finalmente tinha a oportunidade de se defender da “injustiça” que lhe faziam. Ele chegou a olhar feio para seu defensor Samir Haddad Junior, que conversava enquanto ele tentava se defender. Com o decorrer de seu depoimento, no entanto, o réu ficou mais à vontade: falou mais pausadamente, fez piada e se preocupou em se dirigir aos jurados quando precisava responder às questões.

O advogado recorreu a Deus mais de dez vezes nas duas horas em que pôde argumentar. “Contribuí tanto com as investigações que fui à delegacia sempre que me pediam. Deus sabe da minha consciência”, afirmou. Disse que pede a Deus que o outro réu do processo, Evandro Bezerra da Silva, deixe de acusá-lo. “O senhor não sabe quanto eu tenho dobrado os joelhos para ser julgado por anjos de Deus”, disse ele ao se referir ao júri.

Questionado sobre a represa de Nazaré Paulista, onde o corpo foi encontrado, ele jurou pela filha: “Juro pela minha filha que eu nunca fui à represa”. Para outra acusação, repetiu o juramento: “juro pela vida da minha filha que eu não andava armado”.

Contundente, o acusado não mostrou medo ao acusar os policiais que lhe investigaram – especialmente o delegado Antônio de Olim "candidato a deputado no ano que vem”. “Criaram uma situação pessoal do delegado para se promover às minhas custas”. Para Mizael, a polícia “não queria o autor do crime, queria um culpado”. “Se alguém abrir aquela porta e dizer que matou a Mércia, ninguém vai acreditar”.

Por mais de uma vez, o interrogado chegou a dizer que prefere morrer a permanecer na cadeia. “Ninguém merece a prisão. É melhor a morte.”

Leia, abaixo, a versão de Mizael para as polêmicas envolvendo a morte de Mércia:

Mizael atribuiu a provas “plantadas” pela polícia a alga subaquática, nativa de represas, encontrada em seu sapato:

“No presídio, dizem ‘fizeram minha mão. No meu caso, fizeram o meu pé”.

Ele negou as supostas brigas com Mércia por honorários advocaticios:

“Uma cogitação absurda. […] Os honorários iam para a minha conta e eu repassava para ela”, disse. “Depois que o escritório dela começøu a andar sozinho, paramos de dividir honorários.”

Relacionamento

“Quando namorava firme, nunca a trai”, afirmou. “Nosso relacionamento era aberto. Eu disse que iria casar em setembro com uma menina de 20 anos na Bahia.”

Provas

“As provas não me incriminam porque elas não me colocam na cena do crime. Criaram uma situação pessoal.”

Polícia

“Nunca queiram ser vítimas da polícia.”

Evandro

“Ele estava devendo uma grana acumulada para mim”, afirmou Mizael sobre sua relação profissional com o suposto comparsa. “Eu não conheço nenhum parente do Evandro”.

Telefone frio usado por ele no dia do crime

“Eu comprei um chip na Oi. A moça me disse que estava cadastrado em nome de outra pessoa, eu disse que tudo bem porque era pré-pago mesmo…”

O culpado

“Não faço ideia de quem matou a Mércia”

 

IG

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