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Investigador acusado de liderar revenda de drogas na Paraíba recebeu R$ 4 milhões; revela Fantástico

— Foto: Reprodução/TV Globo

Bomba! Combate ao crime dentro da polícia. Policiais que deveriam combater o tráfico negociavam drogas com facções criminosas, desviavam apreensões da delegacia e orientavam criminosos a escapar da Justiça, mostram gravações obtidas com exclusividade pelo Fantástico.

Vídeos e áudios mostram conversas em que os policiais tratam o comércio ilegal como uma atividade empresarial. O esquema levou à prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba.

Uma das gravações mais recentes mostra o investigador Everton Aires, conhecido como Bomba, resumindo a lógica que guiava o grupo. “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”.

Em outro registro, ele compara o tráfico a um negócio comum. “É o mesmo que você estar vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga”.

A investigação apontou que, nos últimos cinco anos, Bomba recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas, valor incompatível com seu salário de cerca de R$ 8.500. A quantia teria sido obtida com a revenda de cocaína, crack e skunk apreendidos em operações policiais.

Ele também afirmou que policiais conhecem em detalhes a rotina dos criminosos. “A gente conhece os vagabundos, a mãe dos vagabundos, o irmão do vagabundo, a avó do vagabundo, onde ele morava, onde ele mora, conhece tudo”.

Mas o Ministério Público e a Polícia Civil afirmam que Bomba conhecia os bandidos de outra forma: como chefe de uma quadrilha que mantinha negócios com traficantes. “O cara que mais vende aqui sou eu. Se for para me sustentar só com o salário da polícia, não dá, não”, disse Bomba em um áudio.

Outro áudio mostra Bomba mencionando um contato para vender drogas para a facção criminosa Comando Vermelho.

A investigação começou em maio de 2025, após um traficante acusar policiais civis de roubarem uma carga de drogas. A Polícia Civil concluiu que os entorpecentes retirados dos criminosos não eram encaminhados na totalidade para procedimentos legais, mas revendidos a outros traficantes.

Os três policiais negociavam com ao menos quatro criminosos e protegiam foragidos ao avisá-los de operações com antecedência.

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O que dizem as defesas

A defesa de Everton Aires afirmou que o devido processo legal está em curso e que o investigador não aceita as acusações.

O advogado de Eduardo Jorge disse que não é crível que policiais negociem drogas de forma aberta e que pode haver um processo de desgaste de imagem.

Já a defesa do delegado Braz Morroni afirmou que não há elementos que comprovem a participação consciente dele nos fatos investigados.

Redação com G1

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