Um “mercado” que utiliza a carência da população para negociar o apoio nas urnas. O Brasil registrou uma explosão no número de investigações sobre corrupção eleitoral na última década. Levantamento com base em dados da Polícia Federal, obtidos via Lei de Acesso à Informação, revela que o volume de inquéritos abertos disparou quase 20 vezes entre as eleições municipais de 2016 e 2024.
As investigações detalham um “mercado” que utiliza a carência da população para negociar o apoio nas urnas. Além do pagamento direto em dinheiro, o crime assume diversas formas.
Entre as vantagens oferecidas estão consultas médicas, atendimento odontológico, exames e serviços oftalmológicos. Bens materiais como sacos de cimento, botijões de gás, cestas básicas, gasolina e até “caixinhas de cerveja” também entram na negociação. Promessas de empregos, funções públicas e vagas em creches completam o rol de ilegalidades identificadas nos processos.
A análise dos dados da PF aponta que o crime de compra de votos está concentrado fora dos grandes centros urbanos, com apenas 15% dos casos registrados em capitais. A maioria dos inquéritos foca em cidades do interior e regiões metropolitanas, atingindo quase 30% dos municípios brasileiros na última década.
Redação com O Globo