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Ex-diretor da Petrobras é preso

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 O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi transferido para Curitiba por volta das 7h desta quarta-feira (14). Ele foi preso por volta da 0h30 desta quarta, ao desembarcar de Londres no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na Zona Norte do Rio de Janeiro, acusado de envolvimento nos crimes investigados na Operação Lava Jato.

O advogado de defesa Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, afirmou que está indo para Curitiba para tomar conhecimento desse decreto de prisão e depois segue para Porto Alegre para dar entrada no pedido de Habeas Corpus, o que deve acontecer na quinta-feira (15). "Esta prisão é totalmente arbitrária, a partir do momento que o
Nestor está desde abril à disposição da Justiça e da Polícia Federal, para prestar qualquer esclarecimento que fosse necessário. Entrei com petições informando isso e em momento algum ele foi procurado. Além disso, antes de embarcar, informei que ele estava indo para Londres e forneci o endereço onde ele ficaria", disse.

Por meio de nota, o Ministério Público Federal informou que foi cumprido um mandado de prisão preventiva, já que "há indícios de que o ex-diretor continua a praticar crimes e se ocultará da Justiça". A defesa nega as acusações e diz que reúne documentos para entrar com pedido de habeas corpus assim que tiver acesso à decisão.

A nota do MPF relata ainda que nesta terça-feira (13) foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa de Cerveró e de parentes, "em função de seu envolvimento em novos fatos ilícitos relacionados os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que foram denunciados recentemente".
O MPF assegura ainda ter obtido informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) de que logo após o recebimento da denúncia e durante o recesso do Judiciário, o ex-diretor tentou transferir para sua filha R$ 500 mil – mesmo considerando que com tal operação haveria uma perda de mais de 20% da aplicação financeira. O ex-diretor, ainda segundo o MPF, também teria transferido recentemente três apartamentos adquiridos com recursos de origem duvidosa, em valores menores do que eles valeriam, de R$ 7 milhões por R$ 560 mil.

 

O Ministério Público Federal encerra a nota justificando que "a custódia cautelar é necessária, também, para resguardar as ordens pública e econômica, diante da dimensão dos crimes e de sua continuidade até o presente momento, o que tem amparo em circunstâncias e provas concretas do caso".
Cerveró, que foi detido em uma área interna após deixar a aeronave, passou a madrugada em uma sala no aeroporto e será levado para a sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) no início da manhã desta quarta. Às 6h30 ele permanecia no Galeão, como mostrou o Bom Dia Rio.
Defesa

O advogado de defesa Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, disse à TV Globo que as justificativas do Ministério Público Federal para o pedido de prisão preventiva não têm fundamento. Segundo ele, não havia restrição judicial ou administrativa para que os bens fossem transferidos à família do cliente.

 

Edson explicou que a filha de Cerveró tem problemas de saúde e que, por isso, o ex-diretor colocou seu dinheiro à disposição dela. Ele alegou ainda que nenhuma transação chegou a ser concluída. Além disso, segundo o advogado, o MPF se baseou apenas em delações premiadas, sem requerer o inquérito policial, e, por isso, induziu o juiz a erro.

 

O advogado reforça que o cliente sempre se colocou a disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e, por isso, o impropósito do pedido de prisão preventiva. A defesa está reunindo documentos e segue para Curitiba para ter acesso à decisão, para, só então, entrar com o pedido de habeas corpus.
Em entrevista à GloboNews, o advogado disse estranhar a decisão da Justiça de prender seu cliente. "Eu não conheço a fundamentação da prisão preventiva e desde já estranho essa prisão, já que ele havia combinado com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que prestaria depoimento na quinta-feira e seria citado na sexta-feira", afirmou Ribeiro.

 

Ainda de acordo com o advogado, Cerveró havia informado ao MPF-RJ e à Justiça Federal que faria uma viagem para Londres, inclusive fornecendo o endereço onde ficaria localizado, e estava com depoimento marcado para esta quinta-feira no Rio de Janeiro.

Operação Lava Jato

Cerveró é acusado de participação em crimes como corrupção contra o sistema financeiro nacional e lavagem de capital entre 2006 e 2012, conforme a denúncia aceita em 17 de dezembro pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na primeira instância.
Foi a última denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) na sétima fase da operação. Além de Cerveró, passaram a ser réus no processo: Fernando Soares, lobista conhecido como Fernando Baiano, apontado como um dos operadores do esquema de corrupção na estatal; e Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal. Além deles, a Justiça também aceitou a denúncia contra o doleiro Alberto Youssef, que já virou réu em outras ações.

G1

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