Corpos de 39 pessoas são ignorados pelas famílias no Numol este ano
Somente em 2010, mais de 950 corpos deram entrada no Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), que atende a todos os municípios do Compartimento da Borborema e Cariri. Desses, 39 corpos foram ignorados pelas famílias no primeiro momento, sendo que 16 ainda são considerados indigentes, por nunca terem sido reconhecidos por ninguém ou simplesmente porque os parentes não demonstraram interesse em resgatar o cadáver para realizar o sepultamento. Mais da metade dessas mortes estão relacionadas a homicídios.
De acordo com o chefe do Numol, José Cavalcanti dos Santos, os cadáveres que dão entrada na antiga Unidade de Medicina Legal (UML) ficam por mais de um mês aguardando a identificação dos parentes sob refrigeração, caso não estejam em decomposição. “Depois desse período, precisamos dar um destino aos corpos, pois não podemos ficar com eles. Então identificamos os corpos com um número, que corresponde às características genéticas colhidas através dos exames feitos com base nos materiais biológicos e da arcada dentária, e daí, eles seguem para serem enterrados”, explica. Ele diz que atualmente, o local reservado para o sepultamento dos indigentes fica no cemitério do Araxá e no caso de alguma necessidade, para fins de investigação ou para a certificação da morte de alguma pessoa desaparecida, é possível que seja feita uma exumação.
De acordo com o chefe do Numol, muitos dos cadáveres que acabam ignorados pelas famílias são de pessoas envolvidas em homicídios ou que tiveram uma vida de criminalidade e, por esse motivo, acabam sendo rejeitados mesmo após a morte. “Temos o caso de um, que foi morto em uma troca de tiros com a polícia e, apesar de termos identificado os familiares, eles preferiram não vir fazer o reconhecimento, pois já não tinham nenhuma relação com o morto”, relatou. Existem ainda casos de mendigos encontrados mortos que acabam nunca sendo identificados, por não existir nenhuma pista de quem são seus parentes.
A média diária de corpos que dão entrada no Numol de Campina Grande é de três cadáveres, mas nos finais de semana a movimentação no núcleo tende a ser maior, devido a ocorrência de acidentes automobilísticos serem mais comum. Os acidentes, juntos com os homicídios, representam os principais motivos de envio de cadáveres ao núcleo. “Casos de afogamentos e suicídios ocorrem em menor quantidade”, conta o responsável pelo núcleo.
Novo prédio já funciona na Prata
O novo prédio do Numol, no bairro da Prata, que havia sido inaugurado no mês de outubro, começou a funcionar na segunda semana de dezembro. A transferência foi motivo de uma ação do Ministério Público de Campina Grande que depois de analisar os laudos técnicos que condenam a estrutura do prédio antigo, determinou que houvesse a mudança. Somente os exames cadavéricos deverão continuar sendo feitos no bairro de Bodocongó até que um novo prédio próprio seja finalmente construído. Já existe inclusive um terreno na Alça Sudoeste, que prevê a construção.
De acordo com José Cavalcanti dos Santos, apesar de já estar funcionando, o novo prédio do Numol ainda carece de alguns ajustes e laboratórios ainda estão sendo montados. “Nos empenhamos nessa transferência, mas ainda serão necessárias algumas adaptações para que o trabalho seja realizado da maneira esperada. Os exames de corpo de delito, em geral, já estão funcionando. A parte de toxicologia e entorpecentes também”, disse.
O chefe do Numol afirmou que depois da mudança de prédio, é preciso pensar agora na contratação de recursos humanos para atender satisfatoriamente a demanda. Atualmente, existe apenas um médico perito por plantão para atender aos exames realizados com mortos e vivos. O ideal seria um profissional para cada caso. (AS)
Uso da internet ajudaria na identificação
José Cavalcanti dos Santos considera que uma das principais medidas que poderiam ser adotadas para ajudar na identificação dos corpos seria a criação de uma página oficial na internet para divulgar as características dos corpos que estão à espera do reconhecimento. Segundo o chefe do Numol, pessoas de todo o Brasil poderiam ter acesso às informações relacionadas a cada corpo não identificado, o que beneficiaria, por exemplo, uma família que mora longe e está com um parente desaparecido, sem que possua condições de vir pessoalmente ao Numol. “A intenção seria fotografar os cadáveres que possuem condições de serem apresentados e destacar através da rede mundial de computadores informações como altura, cor da pele, presença de tatuagem e outras características que indiquem o perfil do indigente”, detalha.
Ele afirma que um projeto como esse acaba esbarrando na esfera burocrática, mas que é necessário ser implantado. “Gostaria bastante de torná-lo realidade, mas a primeira dificuldade que encontro no Numol é a inexistência da internet. Não temos nada informatizado e precisávamos ter primeiro esse problema resolvido para podermos pensar em projetos desse tipo”, justifica. Ele ainda disse que a transferência dos serviços burocráticos e laboratoriais do Numol para a nova sede do órgão, que já deveria estar funcionando em um prédio alugado no bairro da Prata, dará uma melhor infraestrutura de funcionamento ao espaço, tendo em vista que o atual núcleo, no bairro de Bodoncogó, já não atende às necessidades. “Inclusive não existe mais médico de plantão depois das 20h, porque não há nenhum local para que ele possa repousar enquanto aguarda a chegada de algum corpo”, exemplifica.
Jornal da Paraíba
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